
Petrobras impulsiona lucro de R$ 169,4 bi das estatais, mas repasse à União encolhe pela metade

As empresas estatais federais encerraram 2025 com resultados expressivos, registrando lucro líquido de R$ 169,4 bilhões, expansão de 45,4% comparado ao exercício anterior, segundo relatório do governo federal publicado na quinta-feira (2).

A Petrobras protagonizou o desempenho positivo das estatais, com lucro líquido de mais de R$ 110 bilhões, salto de 198,9% em relação a 2024, além de atingir sua maior produção operada com 4,32 milhões de barris de óleo equivalente diários, crescimento de 11%.
O desempenho robusto permitiu a distribuição de R$ 84,2 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio ao conjunto dos acionistas, sendo R$ 45,8 bilhões direcionados à União. O valor, contudo, representa um recuo de 44,6% comparado a 2024, ano marcado por pagamentos excepcionalmente elevados.
- No caso da Petrobras, investidores estrangeiros detêm 41,6% das ações com direito a voto e 55,89% das ações preferenciais, totalizando 47,64% do capital total da companhia.
- Apesar do governo federal permanecer como acionista majoritário e responsável pelas principais decisões estratégicas da empresa, com 50,26% das ações ordinárias, os acionistas privados — especialmente estrangeiros — concentram a maior parte do capital social da petroleira.
Segundo o Ministério da Gestão e Inovação (MGI), a redução reflete estratégia de maior retenção de lucros destinados ao financiamento de investimentos e à expansão das próprias companhias, mantendo o compromisso com políticas públicas e o desenvolvimento sustentável do país.

Sequência ascendente
O desempenho consolida três anos consecutivos de crescimento e eleva o lucro acumulado do triênio 2023-2025 para aproximadamente R$ 484 bilhões. O patrimônio líquido das estatais ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão pela primeira vez, e os investimentos totalizaram R$ 115,9 bilhões, patamar 115% superior ao de 2022
Juntamente com BNDES e Banco do Brasil, a Petrobras concentrou 90,9% do resultado agregado das 44 empresas públicas e sociedades de economia mista controladas pelo governo federal. Na contramão, os Correios registraram o pior desempenho, com prejuízo acima dos R$ 8 bilhões, deterioração de 245,6% frente ao ano anterior.
As estatais federais respondem por aproximadamente 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e originam 6% dos tributos arrecadados nacionalmente, de acordo com o MGI.

