Durante audiência no Senado sobre a extinção da jornada 6x1, a representante jurídica da Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), Luciana Nunes Freire, provocou reações incisivas diante de seu questionamento ímpar contra o avanço da proposta legislativa.
A executiva, que desfruta de dois dias de folga semanais, argumentou que supermercados, farmácias e cabeleireiros ficariam inacessíveis nos finais de semana, impedindo mulheres de cuidarem da aparência e das famílias.
O texto do projeto de lei, porém, não estabelece que o descanso adicional ocorra necessariamente aos sábados, permitindo ajustes conforme demandas empresariais e setoriais, esvaziando a implicação de um cenário de fechamento generalizado do setor de serviços.
«ENTENDA COMO O FIM DA ESCALA 6X1 AFETA TRABALHADORES E EMPRESAS»
O argumento é ensaiado por setores contrários à mudança; mas o percentual de apoio ao fim da escala por mais de 80% da população brasileira, de acordo com levantamentos deste ano, revela uma limitação a seu efeito sobre a opinião pública.
A fala de Luciana provocou reações adversas, incluindo a da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), relatora do projeto de lei.
"Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6x1 porque ela, que faz escala 5x2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar PRA ELA", escreveu Erika em suas redes. "É esse o nível da 'elite' do Brasil, que parece não ter superado a escravidão."