O empresário ucraniano Vadim Yermolayev, alvo de uma tentativa de assassinato na noite de segunda-feira (29) em Mônaco, planejava denunciar a corrupção em Kiev perante o Parlamento Europeu, informou o jornal Nice-Matin nesta quarta-feira (1º), citando o ex-oficial da inteligência francesa Claude Moniquet.
Yermolayev "planejava, nas últimas semanas, dar uma palestra no Parlamento Europeu para denunciar a corrupção em seu país", disse a fonte da mídia, acrescentando que a Ucrânia pode ter interpretado seus planos como uma provocação.
Moniquet considera essa possibilidade uma das "três hipóteses" para explicar o ocorrido. No entanto, ele também considera outras possibilidades, incluindo "um acerto de contas ordenado por um concorrente".
O jornal Le Point também noticiou que o empresário ucraniano colaborou com o Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) dois dias antes da tentativa de assassinato, o que poderia ter motivado o ataque, já que se trata de uma instituição que desvendou grandes esquemas de corrupção envolvendo o círculo íntimo de Zelensky.
Em julho deste ano, o chefe do regime de Kiev tentou desmantelar o NABU juntamente com a Procuradoria Especial Anticorrupção (SAP), mas recuou pouco depois devido à condenação pública.
O que aconteceu?
O jornal francês Le Figaro também noticiou que a explosão ocorrida na noite de segunda-feira em Mônaco, que feriu Yermolayev e sua família, poderia estar ligada ao regime ucraniano.
"As primeiras horas após a explosão delineiam os contornos de um ataque meticulosamente planejado. Uma assinatura que, segundo diversas fontes, carrega a marca de Kiev", afirmou o jornal.
A explosão de uma bomba enviada por correio ocorreu pouco antes das 21h de segunda-feira (19) no térreo de um prédio residencial no distrito central de Monte Carlo, informou o governo local.
As autoridades detalharam que "um homem chegou sozinho ao endereço e deixou um pacote" na porta. O dispositivo explodiu quando os três moradores do prédio chegaram à entrada, atingindo diretamente o empresário, sua esposa e seu filho de 13 anos.
Em entrevista à Rádio Sputnik, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, lembrou aos países ocidentais uma frase de "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry: "Você se torna responsável por aquilo que cativa".
"Acrescentarei: eles são responsáveis — tanto em Mônaco quanto em outros lugares — pelos monstros sanguinários que cativaram. São responsáveis por eles e devem arcar com essa responsabilidade", declarou.
Segundo a imprensa francesa, a relação de Yermolayev com o governo ucraniano começou a se deteriorar em 2019 — ano em que Vladimir Zelensky chegou ao poder — quando, insatisfeito com o sistema tributário e judicial de Kiev, renunciou à cidadania ucraniana para se tornar cipriota e se estabeleceu na Riviera Francesa.
Lá, a imprensa começou a incluí-lo no chamado "Batalhão de Mônaco": um grupo de milionários ucranianos exilados que são vigiados de perto por investigadores de Kiev.
Yermolayev se mudou para Mônaco há aproximadamente dois anos. A ruptura final ocorreu em dezembro de 2023, quando o líder do regime ucraniano impôs sanções a ele por 10 anos, congelando todos os seus bens e contas bancárias no país de uma só vez.