No dia 24 de junho, os piores terremotos dos últimos 126 anos na Venezuela provocaram a morte de, ao menos,2.295 pessoas, de acordo com estimativas oficiais. Na mesma semana, tremores menores atingiram a China, Portugal e Japão.
Entretanto, o Brasil é praticamente "imune" a terremotos. O que mantém o país a salvo de uma das piores catástrofes da natureza?
O mundo é um gigante quebra-cabeça
Terremotos ocorrem devido ao movimento das placas tectônicas, os blocos que compõem a superfície terrestre. Essas placas flutuam sobre o manto terrestre, que devido às altíssimas temperaturas e à pressão se comporta como um líquido viscoso.
As placas, que se encaixam como peças de um quebra-cabeça, estão em constante movimento de poucos centímetros por ano. Em alguns casos, essas placas se afastam, deixando uma falha onde o magma do manto sobe à superfície formando mais crosta. Em outros, as "peças" colidem, causando terremotos e erupções vulcânicas.
A longo prazo, cadeias de montanhas como os Andes e o Himalaia se formam quando uma placa mergulha lentamente sob outra, em um processo chamado subducção. Essas áreas são justamente aonde terremotos são mais frequentes.
O Brasil, contudo, está situado exatamente no centro da Placa Sul-Americana. As fronteiras mais próximas estão nos Andes e no meio do Oceano Atlântico, entre o continente americano e a África. Por isso, embora sismos de maior intensidade possam ser sentidos no território brasileiro, eles raramente apresentam grande magnitude.
Quebra-cabeça em constante transformação
Apesar dessa estabilidade, o Brasil já abrigou vulcões e possui rochas de origem vulcânica. Isso ocorre porque a superfície terrestre está em constante transformação: territórios que hoje ocupam o interior estável das placas estavam, há milhões de anos, nos limites de contato.
Um exemplo é o Vulcão Amazonas, possivelmente o mais antigo do mundo, formado há quase dois bilhões de anos, mas erodido pelo tempo.
Essa posição geológica não traz apenas segurança, mas também torna o solo brasileiro um tesouro para arqueólogos e geólogos. Sem o processo de subducção ou a criação constante de nova crosta, o solo de boa parte do país é um dos mais antigos da Terra.
Isso permite o estudo de eras remotas e a preservação de fósseis que dificilmente seriam encontrados em outras regiões.
Entre esses tesouros, estão as rochas mais antigas da América do Sul, na Chapada Diamantina, formadas há impressionantes 3,6 bilhões de anos — época aproximada do surgimento das primeiras formas de vida no planeta. Outro exemplo da riqueza geológica nacional é o Vale dos Dinossauros, na Paraíba, um sítio paleontológico que abriga pegadas e fósseis de mais de 80 espécies.