A líder do partido alemão de oposição, Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel, declarou, à agência Reuters nesta terça-feira (30), que seu país deve acabar com o boicote de recursos energéticos russos para salvar sua economia.
"A energia barata da Rússia foi o segredo do sucesso do 'Made in Germany' (Feito na Alemanha). Precisamos dela de volta", defendeu Weidel, destacando que foi a perda do gás e petróleo russos que "atrasou" a Alemanha e levou à perda de "centenas de milhares" de empregos.
"Isso nos tornou dependentes dos Estados Unidos, que nos vendem energia a preços muito mais altos", afirmou Weidel.
No início de junho o deputado do AfD, Markus Frohnmaier, se encontrou na Rússia com o CEO da estatal russa Gazprom, Alexei Miller, e, segundo o veículo, pediu a reabertura do gasoduto Nord Stream, que liga a Rússia à Alemanha e foi danificado no ataque de setembro de 2022.
Críticas ao governo
A líder do AfD já tinha criticado a condução da política energética e apoio financeiro à Ucrânia por seu país, cobrando do regime de Kiev os esclarecimentos sobre a sabotagem dos gasodutos Nord Stream.
Segundo ela, a destruição da infraestrutura causou "enormes prejuízos" a Alemanha e "aliás, a toda a Europa", devido "à perda de acesso à energia fóssil barata". "E é por isso que conversas com a Rússia são tão incrivelmente importantes", observou a política no início de junho em um evento do partido.
Sabotagem e terrorismo
As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.
Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.
Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.