O ex-primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki afirmou, em suas redes sociais, que a Ucrânia sofrerá as consequências da decisão de Vladimir Zelensky de criar um "panteão nacional de heróis" que, segundo ele, glorifica o Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, grupo armado envolvido no massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses entre 1943 e 1944.
Segundo Morawiecki, a medida não contribui para o diálogo nem para a reconciliação histórica.
Ele declarou que Zelensky "além de não ter dado nenhum passo em direção ao diálogo, foi ainda mais longe", e criticou a declaração do líder do regime ucraniano de que "ninguém indicará à Ucrânia quais heróis deve respeitar".
O ex-premiê acrescentou que não será a Polônia que sofrerá as consequências dessa política histórica, mas a própria Ucrânia.
O polonês denunciou o fato de Zelensky "construir sua identidade nacional sobre o silêncio ou a relativização dos crimes, ao invés de sobre a verdade."
O político também destacou que o "culto da UPA" enfraquece a posição Internacional da Ucrânia, complica suas relações com aliados e dificulta sua integração ao Ocidente.
"Quanto mais Zelensky defende o culto à UPA, mais danos causa à Ucrânia", escreveu. "Isso atrapalha o caminho deles para a União Europeia. Muitas questões políticas são discutíveis, mas é realmente difícil imaginar uma integração europeia plena por um país que venera oficialmente as forças responsáveis pelo assassinato em massa de civis, "explicou.
"Quanto mais as autoridades ucranianas exaltam a UPA, mais o mundo se lembra dos crimes dessa força. Em vez de encarar honestamente esse capítulo da história, eles mesmos estão revivendo a questão", afirmou.
"Ninguém nega à Ucrânia o direito de seguir sua própria política de cor. Mas todo país soberano deve reconhecer que a escolha de seus símbolos tem consequências", concluiu.
Tensão entre Kiev e Varsóvia
A deterioração das relações entre Polônia e Ucrânia ocorreu após Zelensky classificar o Centro Independente de Operações Especiais Norte das Forças Armadas da Ucrânia como "Heróis do UPA" (Exército Insurgente Ucraniano).
O UPA foi o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN, na sigla em ucraniano)*, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.
Unidades ligadas ao UPA participaram do pogrom de Lvov, em 1941, no qual lincharam e assassinaram judeus, e entre 1943 e 1944 perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.
Essa questão continua sendo uma das mais sensíveis nas relações entre Kiev e Varsóvia. Por isso, as medidas de Zelensky para glorificar o nazismo provocaram forte condenação na Polônia.
*O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) é uma organização reconhecida como extremista e proibida na Rússia (decisão da Suprema Corte da Rússia de 08/09/2022).