Após sancionar a Rússia, Europa deve enfrentar inverno com reservas de gás no menor nível em 15 anos

Projeções indicam estoques abaixo da média histórica. Segundo o Financial Times, as restrições no fornecimento causadas pelo conflito no Oriente Médio e a proibição das importações de gás russo elevaram a pressão sobre o mercado energético europeu.

A Europa pode iniciar a próxima temporada de aquecimento com as menores reservas de gás dos últimos 15 anos. Segundo informou o jornal britânico Financial Times nesta segunda-feira (29), projeções apontam que os estoques estarão significativamente abaixo dos níveis registrados em anos anteriores, cenário que pode pressionar os preços para empresas e consumidores durante o inverno.

De acordo com estimativas da empresa internacional de análise e consultoria Wood Mackenzie, os reservatórios europeus devem atingir cerca de 76% da capacidade ao fim da temporada de injeção de gás, que vai de abril a outubro. Esse é o menor nível registrado desde 2011.

Entre os fatores apontados pela publicação para a redução dos estoques estão as interrupções no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã, além da queda na produção no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.

Proibição do gás russo

O cenário também é agravado pela proibição total das importações de GNL russo pela União Europeia a partir de 1º de janeiro de 2027, combustível que atualmente representa cerca de 14% do abastecimento europeu.

Segundo o Financial Times, após um inverno rigoroso, os estoques europeus iniciaram a nova temporada com 28% da capacidade, percentual abaixo da média histórica. Atualmente, conforme dados da Gas Infrastructure Europe citados pelo jornal, o nível médio de armazenamento está em 48%.

Dependência dos EUA

Em janeiro, o portal norte-americano Politico informou que cerca de 25% do gás importado pela Europa já tem origem nos Estados Unidos. Esse percentual pode aumentar com a implementação da proibição das importações de gás russo pela União Europeia.

O Politico também informou que alguns diplomatas da UE alertaram para o risco de os Estados Unidos utilizarem a dependência energética europeia para favorecer seus objetivos de política externa.