Previsão perturbadora de laureado com Prêmio Nobel sobre a IA

Pesquisas recentes indicam que 70% da população acredita que essa tecnologia reduzirá os empregos.

O economista americano Robert Shiller, vencedor do Prêmio Nobel de 2013, alertou que as constantes discussões sobre a perda massiva de empregos devido à inteligência artificial podem acabar se tornando uma profecia autorrealizável.

Em artigo publicado no New York Times, ele observou que o medo de ser substituído pelos avanços tecnológicos existe desde a antiguidade — já era mencionado na época de Aristóteles — e que ressurgiu com força no século XIX com os luditas. Segundo Shiller, esse medo está ganhando força novamente hoje com a IA: pesquisas recentes indicam que 70% da população acredita que essa tecnologia reduzirá o emprego, e apenas 16% esperam um impacto social positivo nas próximas duas décadas.

O autor argumenta que não é apenas a automação que ameaça o mercado de trabalho, mas também o impacto econômico de uma narrativa pessimista repetida incessantemente. "Nossos cérebros são programados para responder a histórias", escreveu ele, observando que milhões de decisões motivadas por expectativas negativas podem contribuir para tornar o cenário temido uma realidade e corroer a confiança de consumidores e empresas.

Além disso, ele criticou executivos de tecnologia que disseminam previsões apocalípticas — como o eventual desaparecimento de metade de todos os empregos de escritório em poucos anos — e pediu moderação: tais mensagens podem dar visibilidade às suas empresas no curto prazo, mas também podem plantar as sementes de uma recessão que, em última análise, se voltará contra eles.