
Bombardeios e ameaças: Cessar-fogo entre EUA e Irã é posto à prova após nova onda de ataques

Os Estados Unidos bombardearam o Irã novamente no sábado (28), pelo segundo dia consecutivo, em resposta a supostas ações das forças iranianas contra navios mercantes que passavam pelo Estreito de Ormuz.
« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) anunciou que aeronaves americanas alvejaram infraestrutura de vigilância militar iraniana, sistemas de comunicação, instalações de defesa aérea, depósitos de drones e capacidades de lançamento de minas.
U.S. Navy and Air Force fighter jets conducted strikes tonight on 10 Iranian military targets at multiple locations in and near the Strait of Hormuz for Iran's drone attack on M/T Kiku. pic.twitter.com/Z0TLZRqmF6
— U.S. Central Command (@CENTCOM) June 28, 2026
"Após os ataques de ontem dos EUA em resposta ao ataque iraniano ao navio Ever Lovely, o Irã teve a oportunidade de respeitar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo", declarou o CENTCOM.
O presidente Donald Trump afirmou que o país persa "deixará de existir" se Washington "for forçado" a recorrer a meios militares para "terminar o trabalho". "Pode chegar o momento em que não poderemos mais ser razoáveis e formos forçados a concluir por meios militares a tarefa que começamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir!", declarou.

Múltiplas explosões no Irã
Em meio à agressão dos EUA, várias explosões foram ouvidas na cidade portuária de Sirik, segundo a mídia local. Uma fonte militar informou à agência de notícias IRIB que as explosões foram causadas por vários projéteis que atingiram uma torre de telecomunicações em Taheriyeh, perto de Sirik.
Também foi relatado o impacto de vários projéteis contra a aldeia de Masen, localizada na ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz.
Resposta iraniana
Momentos após o ataque dos EUA, foram relatadas explosões no Bahrein. Quase em paralelo, as autoridades do Kuwait relataram que as defesas aéreas do Kuwait estavam interceptando ataques hostis com mísseis e drones.
Mísseis iranianos são captados sobre Kuwait após nova agressão dos EUA
— RT Brasil (@rtnoticias_br) June 28, 2026
Foram divulgadas imagens do momento em que os mísseis iranianos foram lançados contra a base aérea Ali Al Salem, no Kuwait, utilizada pelos EUA em conjunto com a Força Aérea do Kuwait. pic.twitter.com/YhFKE33rxi
Posteriormente, a Guarda Revolucionária Iraniana reivindicou a autoria dos ataques e detalhou que, em resposta às últimas agressões de Washington, mísseis balísticos e drones foram lançados contra 8 "infraestruturas importantes" dos EUA na região, incluindo: a base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait, usada pelos EUA em conjunto com a Força Aérea do Kuwait, e o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA no porto de Mina Salman, na capital do Bahrein.
🚨عاجـــــــــــــــل || تم استهداف قاعدة علي السالم في #الكويت 🇰🇼 pic.twitter.com/R9mFS6YfgK
— M.Q (@MQ_Iraq1) June 28, 2026
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) também alertou que as forças americanas "passarão por um inferno nestes dias" na região e afirmou que o "fogo indiscriminado" dos EUA contra o Sirik "não resolve o enigma" do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, enquanto que o fogo iraniano contra "os violadores" serve para lembrar a outros navios do "caminho livre".
Na noite anterior
Na sexta-feira à noite (26), o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que aeronaves americanas atacaram instalações iranianas. Simultaneamente, explosões foram ouvidas na área costeira de Taheriyeh.
https://t.co/CckXLJSpahpic.twitter.com/NoMQ7cNtN5
— U.S. Central Command (@CENTCOM) June 27, 2026
Em resposta ao bombardeio dos EUA, a Marinha da Guarda Revolucionária Iraniana atacou diversas posições de tropas americanas na região, acusando Washington de violar o cessar-fogo acordado no Memorando de Entendimento de Islamabad.
O que estipula o Artigo 5?
De acordo com o texto do memorando de entendimento assinado pelo Irã e pelos Estados Unidos, com a mediação do Paquistão e divulgado pela mídia iraniana, o ponto cinco estipula o seguinte:
"Após a assinatura deste memorando de entendimento, a República Islâmica do Irã tomará todas as medidas possíveis para garantir a passagem segura de navios mercantes, gratuitamente, por um período de 60 dias, do Golfo Pérsico para o Golfo de Omã e vice-versa. O trânsito de navios mercantes terá início imediato e será totalmente estabelecido em 30 dias, sujeito à necessidade de a República Islâmica do Irã remover obstáculos técnicos e militares e realizar a desminagem. A República Islâmica do Irã e o Sultanato de Omã realizarão discussões para determinar a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em conformidade com o direito internacional aplicável e os direitos soberanos dos Estados que fazem fronteira com o Estreito de Ormuz, e também discutir com os demais Estados limítrofes."

