O Escritório do Inspetor-Geral (OIG) do Departamento de Justiça dos EUA identificou casos em que agentes da Administração de Repressão às Drogas (DEA) lavaram dinheiro do narcotráfico e atuaram em conluio com traficantes. O órgão também identificou o recebimento de subornos, desvio carregamentos de drogas e violações de direitos humanos, informou o Jornal Milenio em publicação na quinta-feira (25).
A investigação analisou auditorias realizadas pelo OIG ao longo dos últimos dez anos. Os documentos apontam falhas no controle e na supervisão das atividades dos agentes da DEA.
Um memorando datado de setembro de 2024 revelou que, durante exames de polígrafo, agentes da DEA que atuavam no exterior admitiram ter cometido atos de tortura em operações, incluindo asfixia com sacos plásticos e aplicação de choques elétricos.
Outra auditoria constatou que agentes da DEA praticaram lavagem de dinheiro sob o pretexto de se infiltrar em cartéis do narcotráfico. Segundo o relatório, isso foi possível devido à supervisão deficiente, que permitiu o uso ilegal de recursos públicos.
Além disso, em setembro de 2024, a DEA contratou 184 pessoas que não haviam sido aprovadas no exame de polígrafo, concedendo-lhes acesso a material sigiloso.
Conluio com o narcotráfico
A corrupção tem sido recorrente na última década. Um caso de 2015 documentou que dez agentes que trabalhavam na Colômbia participaram de festas com prostitutas pagas por traficantes locais, dos quais receberam dinheiro em espécie, presentes de alto valor e armas.
Anos depois, José Irizarry, agente de origem porto-riquenha, desviou para suas contas pessoais e para as de seus cúmplices R$ 46 milhões. provenientes de investigações encobertas sobre lavagem de dinheiro. Ele também recebeu subornos em troca de permitir as operações de um cartel na Colômbia. Com os recursos obtidos ilegalmente, adquiriu joias, carros de luxo e uma casa.
O levantamento também destaca casos de ex-agentes que, após se aposentarem, passaram a colaborar com organizações criminosas. Entre eles está Manuel Recio, que roubou informações confidenciais e as vendeu aos advogados de chefes do narcotráfico investigados. Outro é Paul Campo, que trabalhou durante 25 anos na DEA e posteriormente passou a atuar para o Cartel Jalisco Nueva Geração (CJNG), lavando R$ 61 milhões. por meio de criptomoedas, mercado imobiliário e contrabando de dinheiro em espécie.
Outros agentes, por sua vez, falsificaram certificados de destruição de carregamentos de drogas para se apropriar dos entorpecentes e revendê-los.