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Titular do Japão na Copa, Zion Suzuki faz história como o primeiro goleiro negro da seleção

Filho de mãe japonesa e pai ganês, o goleiro enfrentou ataques racistas ao defender a seleção e se consolidou como titular do Japão.
Titular do Japão na Copa, Zion Suzuki faz história como o primeiro goleiro negro da seleçãoGettyimages.ru / Molly Darlington

O gol do próximo adversário do Brasil na Copa é guardado por um pioneiro. Nascido em 2002, Zion Suzuki é o primeiro goleiro negro da história da seleção japonesa.

Afro-japonês, Suzuki nasceu em Newark, nos Estados Unidos. É filho de mãe japonesa e pai ganês. Seu nome faz referência ao Monte Sião (Zion, em inglês), um local sagrado em Jerusalém citado na Bíblia.

Dono de ótimos reflexos, o goleiro se mudou para o Japão ainda na infância, e iniciou sua formação nas categorias de base do Urawa Reds. Não demorou para chamar a atenção dos grandes clubes. Suzuki defende a seleção japonesa desde a categoria sub-17 e, desde cedo, a imprensa local destacava sua altura — hoje ele mede 1,90 m.

Titular do Parma desde 2024, Suzuki encerrou sua primeira temporada na Serie A entre os goleiros com maior número de defesas. As atuações consistentes despertaram o interesse de gigantes europeus, como Bayern de Munique e Aston Villa, que passaram a monitorar o arqueiro japonês.

Ataques racistas

Ser o primeiro goleiro negro da história da seleção japonesa, porém, também trouxe desafios fora de campo.

Em 2024, o atleta gerou debates dentro e fora do Japão após ser alvo de ataques racistas por causa de uma falha na derrota para o Irã, que eliminou a seleção japonesa da Copa da Ásia. A repercussão foi tão intensa que Suzuki chegou a desativar os comentários em sua conta no Instagram*.

"Não vou deixar que isso me derrote. Quero responder com boas atuações. Sei que sou cobrado em um nível mais alto como goleiro da seleção japonesa quando sofro gols e perdemos jogos", afirmou na ocasião, em declaração reproduzida pela imprensa.

À época, o técnico Hajime Moriyasu, ainda no comando da equipe, disse estar "envergonhado e chocado" com os ataques. "Isso não pode acontecer em hipótese alguma. As pessoas devem respeitar os direitos humanos. Não há espaço para isso em um mundo diverso", declarou, acrescentando que daria todo o apoio ao seu "precioso" goleiro.

Apesar dos ataques, Suzuki não é o primeiro jogador negro a vestir a camisa da seleção japonesa. Antes dele, o atacante nipo-jamaicano Musashi Suzuki já havia defendido o país e também revelou ter enfrentado bullying e racismo desde a infância.

*A META é classificada na Rússia como uma organização extremista. Suas redes sociais são proibidas em território russo.