
Pentágono planeja integrar IA para detecção de alvos e disparo

O Pentágono revisou sua doutrina sobre a seleção de alvos em combate, dando o maior papel à inteligência artificial (IA) no processo de iniciar ações militares, informou a agência de notícias Bloomberg na quinta-feira (25), citando um documento que não é divulgado publicamente.

A mudança, aprovada em abril, marca uma transição de modelos em que o ser humano sempre iniciava a ação para sistemas onde a IA pode disparar o processo, mantendo apenas o monitoramento humano.
Embora o Pentágono aponte que a IA deva reduzir o ciclo entre a detecção de um alvo e o disparo, também reconhece os riscos éticos envolvidos. A doutrina admite que a dependência exclusiva de algoritmos impõe dilemas morais e jurídicos e exige "diretrizes éticas inequívocas", ainda não definidas.
Na quinta-feira (25), o Pentágono também afirmou que lançou o projeto "Agent Network" que "emprega ferramentas avançadas e habilitadas para IA para diminuir o tempo necessário para transformar a inteligência em opções informadas para comandantes em todo o mundo".
Críticas à estratégia americana
Segundo a mídia, a empresa Anthropic PBC, que fornece ferramentas de IA ao Departamento de Guerra americano, já entrou em atrito com o órgão ao insistir que a tecnologia não é confiável para "armas totalmente autônomas".
A estratégia também foi criticada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que pediu proibição de sistemas de armas autônomas letais.
Uso de IA pelo Pentágono
Em meados de junho, Cameron Stanley, chefe de inteligência artificial e digital do Departamento de Guerra dos EUA, revelou que o modelo de inteligência artificial Grok, de Elon Musk, é parte integrante da máquina de guerra americana e foi usado na operação contra o Irã.
Além do Grok, o Pentágono está ligado ao modelo de IA da empresa Anthropic. A relação da empresa com o governo Trump atravessa tensões desde o surgimento de rumores acerca da utilização do Claude, produto de IA generativa da Anthropic, na operação militar que bombardeou a Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026.
Mais recentemente, fontes já apontam que a Anthropic está ajudando a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) dos EUA a implantar o modelo Mythos para operações cibernéticas ofensivas.

