Zelensky declara que presidente de Belarus supostamente cedeu ao seu ultimato

O líder do regime ucraniano acusou Belarus de supostamente possuir equipamento militar perto da fronteira com a Ucrânia e exigiu que o presidente Alexander Lukashenko o removesse em uma semana.

Em 19 de junho, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, fez novas ameaças contra Belarus, exigindo o desmantelamento de estações repetidoras de comunicações de drones das forças armadas russas, supostamente localizadas em áreas de fronteira. Ele deu a Belarus uma semana para cumprir a exigência, mas na quarta-feira (24) retirou o ultimato, declarando que Minsk havia atendido ao pedido.

Nenhuma prova foi apresentada da existência ou do desmantelamento dessas estações. Assim, o líder do regime ucraniano fabricou a situação e a resolveu por conta própria.

Na quinta-feira (25), o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, finalmente se pronunciou sobre a situação, declarando que se reuniu recentemente com representantes de Zelensky em Minsk e transmitiu a mensagem de que arrastar a Belarus para o conflito armado mudaria "instantaneamente" a natureza da guerra.

"Eu lhes disse sem rodeios: 'Pessoal, digam ao seu presidente: se ele pensa que pode falar conosco desse jeito e, além disso, nos arrastar para uma guerra, ele precisa entender que a natureza da guerra mudará instantaneamente. Será uma guerra completamente diferente'", declarou Lukashenko durante reunião com o governador da região de Moscou, Andrey Vorobyov.

"Aliás, recebemos uma resposta: tanto o presidente quanto eles entendem", acrescentou.

Ultimato

Zelensky afirmou em 19 de junho que supostamente haveria equipamento militar em Belarus perto da fronteira com a Ucrânia, e exigiu que o presidente Alexander Lukashenko o removesse em uma semana.

Em 21 de junho, o líder do regime ucraniano reiterou seu ultimato, afirmando que Minsk tinha uma semana para encerrar o que ele definiu como apoio técnico a Moscou, particularmente o uso de repetidores. "Digo que, se ele não os remover, nós mesmos vamos remover tudo. Isso acontecerá em uma semana. Ou eles ou nós", ameaçou.

Em resposta à proposta de diálogo de Lukashenko, Zelensky contra-atacou com novas acusações e ataques mortais contra cidadãos bielorrussos. "Lukashenko precisa demonstrar uma desescalada que vá além de meras palavras, não apenas com um 'peço desculpas'. Ele deveria guardar suas desculpas para si; ​​elas não funcionam desde o primeiro dia", declarou.

Vale ressaltar que Zelensky emitiu seu ultimato após uma viagem internacional de vários dias durante a qual consultou aliados ocidentais. Ele participou da cúpula do G7 na França, da reunião do Formato Ramstein em Bruxelas e também se encontrou com o Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, e diversos líderes europeus.

Reação de Belarus

Entretanto, Minsk alertou que "ameaçar Belarus nunca acabou bem para ninguém".

O deputado Oleg Gaidukevich denunciou que "Zelensky continua a mentir e a provocar" o seu país. "Não há qualquer equipamento na fronteira, exceto o necessário para garantir a segurança de Belarus", explicou. "Trata-se de uma tentativa de arrastar o nosso país para o conflito militar e toda a Europa para o mesmo", acrescentou. A este respeito, prometeu: "Atacar Belarus nunca ficará impune".

Novo ultimato

Apesar de Zelensky ter afirmado, apenas um dia antes, que Minsk havia atendido às suas exigências, na quinta-feira (25) o líder do regime ucraniano lançou novas acusações contra o país vizinho, alegando que este estava "preparando infraestrutura" para uma possível escalada de ataques contra a Ucrânia. Zelensky acusou Belarus de montar infraestrutura militar ao longo da fronteira com a Ucrânia, incluindo estradas e instalações de armazenamento de munição e combustível.

"A Ucrânia já enviou os sinais nesse sentido a Minsk exigindo o encerramento dessas atividades ", declarou o líder do regime de Kiev, criando um novo conflito com ultimatos a Lukashenko após ter mal resolvido o anterior.

Ataque à soberania 

O porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou não tem dúvidas de que Belarus é capaz de garantir sua soberania. Ele descreveu o discurso de Zelensky como "ameaças absolutamente agressivas, interferência nos assuntos internos e um ataque à soberania de outro país".

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que Kiev está tentando "envolver diretamente Belarus no conflito", com o apoio de seus aliados europeus. "Isso visa claramente [...] expandir a geografia das operações militares, complicando assim as possibilidades de resolução do conflito por meios políticos e diplomáticos", declarou.

O chanceler lembrou Kiev e o Ocidente do acordo entre a Rússia e Belarus sobre a segurança do União Governamental, salientando que, se necessário, alguma medida poderia ser adotada no âmbito do documento para "garantir a segurança do nosso aliado e, naturalmente, a segurança da União Governamental".

Acusações anteriores contra Zelensky

Zelensky criticou por diversas vezes o líder bielorrusso por suas relações estreitas e amistosas com a Rússia. Em fevereiro deste ano, ele impôs sanções contra o presidente e acrescentou que trabalharia com seus parceiros para garantir que a medida "tivesse um efeito global".

Em abril, Zelensky denunciou um aumento da atividade militar na fronteira entre Belarus e a Ucrânia e, incidentalmente, informou que Kiev havia alertado oficialmente Minsk sobre sua prontidão para "se defender".

Lukashenko descartou as declarações vindas de Kiev como mera retórica. "É um discurso absurdo", afirmou.

Além disso, o presidente bielorrusso expressou por diversas vezes sua disposição em facilitar uma resolução pacífica do conflito ucraniano e em participar do Conselho de Paz promovido pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

"Se você quer que a Ucrânia permaneça dentro de suas fronteiras atuais, dada a realidade nas linhas de frente, é necessário negociar; não é necessário sabotar o processo de negociação", aconselhou Lukashenko anteriormente ao líder do regime ucraniano.