Falta de amostras do vírus desafia corrida por vacina contra surto de ebola

Pesquisadores ainda usam material de epidemias anteriores, enquanto disputas sobre o compartilhamento de patógenos dificultam o desenvolvimento e a avaliação de vacinas e tratamentos para a cepa Bundibugyo.

Pesquisadores que desenvolvem vacinas e tratamentos contra o atual surto de ebola no leste da República Democrática do Congo trabalham sem uma amostra viável do vírus responsável pela atual onda da doença, informou a Bloomberg nesta quinta-feira (25).

Segundo a reportagem, mais de um mês após a identificação do surto, os cientistas ainda utilizam amostras de epidemias anteriores. A limitação é considerada relevante porque não há vacinas nem tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo.

A demora estaria ligada a disputas sobre o compartilhamento de patógenos e às dificuldades para transportar materiais infecciosos entre países para pesquisa, um debate que ganhou força após a pandemia de covid-19 e também é discutido na Organização Mundial da Saúde (OMS).

O surto já afetou mais de 1.100 pessoas na República Democrática do Congo e em Uganda e provocou cerca de 280 mortes.