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Nanorrobô pode se tornar uma nova arma contra o câncer

Dispositivo é cerca de 150 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo e funciona como um mini foguete capaz de transportar agentes terapêuticos.
Nanorrobô pode se tornar uma nova arma contra o câncerUniversity of Basel / Marina Bräm

Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Basileia, na Suíça, desenvolveu um nanorrobô modular capaz de se autoorganizar e que poderá ser usado no futuro para tratar doenças como o câncer.

O estudo, publicado na revista Advanced Functional Materials, descreve um dispositivo cerca de 150 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo. Sua estrutura lembra um pequeno foguete lunar, formado por um módulo de propulsão magnética, responsável pelo movimento, e uma cápsula de carga capaz de transportar enzimas ou agentes terapêuticos de forma segura.

As duas partes são conectadas por um sistema semelhante a um "velcro molecular", baseado em fitas de DNA. Essa tecnologia permite uma montagem estável e programável do nanorrobô.

Segundo a professora Cornelia Palivan, a maioria dos nanorrobôs desenvolvidos até agora foi projetada para desempenhar apenas uma função específica. Já a estrutura modular do novo dispositivo permite adaptação para diferentes aplicações, incluindo usos industriais, ambientais e médicos.

Testes indicam resultados promissores

Em experimentos de laboratório realizados com células cancerígenas HeLa, derivadas de um tumor de colo do útero da paciente Henrietta Lacks, os nanorrobôs carregados com enzimas conseguiram gerar um medicamento anticancerígeno diretamente no local do teste. O tratamento reduziu a viabilidade das células tumorais para apenas 16% após 72 horas.

De acordo com a cientista Voichita Mihali, esse efeito pode ser ainda mais eficaz caso os nanorrobôs sejam direcionados especificamente para células cancerígenas dentro do organismo.

Além do potencial terapêutico, o sistema magnético facilita a recuperação e reutilização dos dispositivos. Após o uso, os módulos podem ser separados, recarregados e preparados para novas aplicações.