O candidato presidencial da Colômbia, Iván Cepeda, denunciou nesta quarta-feira (24) que houve uma ingerência estrangeira "aberta e indevida" nas eleições que terminaram com a vitória apertada de seu adversário, o conservador Abelardo de la Espriella.
"Durante este processo, denunciamos a ingerência estrangeira aberta e indevida nos assuntos internos da Colômbia, particularmente as intervenções realizadas pelo governo dos Estados Unidos e, em especial, as do presidente Donald Trump", afirmou o candidato da coalizão de esquerda Pacto Histórico.
"Denunciamos que a campanha de De la Espriella realizou uma operação massiva de compra de votos, com o objetivo de alterar a livre expressão da vontade popular. Também alertamos que foram usadas estratégias sofisticadas de manipulação por meio de tecnologias de inteligência artificial", acrescentou ao enumerar as irregularidades que marcaram o processo eleitoral.
Ele também afirmou que seu movimento político não aceita essas práticas, que, segundo ele, "prejudicaram a transparência do processo e colocam em dúvida a legitimidade do novo governo".
Campanha limpa
Apesar das irregularidades que denunciou, Cepeda anunciou que aceitou o resultado do segundo turno das eleições na Colômbia, realizado no último domingo, no qual De la Espriella venceu por uma margem apertada.
No entanto, ele destacou as diferenças entre sua campanha e a de seu rival. "Atuamos com a convicção de que a política deve ser um exercício de dignidade, coerência e serviço ao povo", afirmou.
Por isso, acrescentou, liderou uma campanha "totalmente limpa, transparente e respeitosa", que não fez "concessões a uma política transformada em espetáculo", nem "alianças inescrupulosas", nem "compra de consciências" que degradam a democracia.
"Sempre considerei os votos importantes, claro, porque expressam a vontade soberana da cidadania, mas tão importante quanto isso é a forma como esses votos são obtidos. Nem tudo vale na disputa democrática", afirmou.