'Eu não fui abandonada': filha faz relato emocionante após condenação dos pais por homeschooling

Caso ocorreu em Jales, no interior de São Paulo. Adauto e Ieda Denardi foram condenados a regime semiaberto por educação domiciliar.

O caso de Adauto e Ieda Denardi, em Jales, no interior de São Paulo, ganhou repercussão nacional após a condenação do casal a 50 dias de detenção no semiaberto por optarem pela educação domiciliar das filhas, prática conhecida como "homeschooling".

O casal foi condenado por "abandono intelectual", ou seja, por não matricular as crianças em escola regular, o que a Justiça entende como violação da legislação vigente.

Adauto e Ieda Denardi participaram recentemente de audiências públicas sobre educação domiciliar e criticaram o entendimento adotado pela Justiça.

"Que a liberdade educacional não seja sufocada e que os filhos dos brasileiros tenham o direito de serem educados, e que a gente não precise dizer que o Brasil criminaliza a educação", afirmou Ieda Denardi.

Relato emocionante

Durante a audiência, uma das filhas do casal, Alícia Denardi, fez um relato em defesa dos pais.

"Eu não fui abandonada intelectualmente. Eu fui ensinada pelos meus pais", declarou a jovem.

Ela afirmou que a família foi penalizada pela escolha educacional e demonstrou preocupação com o impacto da condenação que os pais sofreram.

"O Brasil persegue quem quer dá uma educação com letra maiúscula para seus filhos", afirmou Alícia.

Durante sessão da Comissão de Direitos Humanos realizado em 11 de junho, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou a decisão judicial contra o casal.

"Um juiz, agindo como um verdadeiro ativista, condenou criminalmente um casal de pais por abandono intelectual. Ele ignorou que essas crianças liam mais de 30 livros por ano, que falavam outros idiomas, para dizer que a instrução era inadequada, não seguia a cartilha do que eles querem na cultura", afirmou o senador.