
Lavrov: 'EUA querem comprar parte europeia do Nord Stream para revender gás russo à Europa'

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, declarou nesta quarta-feira (24) que os EUA querem comprar a parte europeia dos gasodutos Nord Stream para revender gás russo à Europa.
Lavrov lembrou que "existe uma doutrina norte-americana, ou uma estratégia […], que tem como objetivo o domínio dos mercados mundiais de energia".
"Neste momento, os norte-americanos estão negociando — pelo menos foi o que nos disseram, que existe esse plano — comprar a parte europeia dos gasodutos Nord Stream, repará-la e assumir o controle dela", disse ele.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia explicou que, tecnicamente, pelos gasodutos Nord Stream só pode ser bombeado gás russo. "Ou seja, nós forneceremos o gás e eles o revenderão com uma boa margem de lucro", concluiu.
Em abril, o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que um dos ramais do gasoduto Nord Stream está tecnicamente preparado para fornecer gás à Europa, enquanto que o outro continuava inoperante após o ato de sabotagem ocorrido em 2022.

Sabotagem e terrorismo
As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, desencadeando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.
Os governos da Dinamarca, Alemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.
Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que por trás dos ataques estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.
Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estaria por trás do atentado.
Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.
