Cientistas da Universidade Federal do Sul da Rússia (YuFU) propuseram um sistema nacional de bioengenharia para restaurar solos degradados e combater a desertificação. A iniciativa faz parte do projeto ecológico "Criação de Solos Sustentáveis para as Futuras Gerações da Rússia", informou o portal Izvestia nesta terça-feira (23).
O projeto prevê a criação de uma plataforma interdisciplinar que reunirá cientistas, produtores rurais, autoridades regionais e desenvolvedores de tecnologia. O objetivo é desenvolver soluções para recuperar a fertilidade dos solos e enfrentar os processos de degradação que afetam áreas agrícolas.
O processo
Segundo a YuFU, o sistema funcionará em três etapas. Primeiro, será realizado um diagnóstico digital com análise do perfil do solo, das condições climáticas e da cultura agrícola, permitindo elaborar uma formulação específica para cada área.
Em seguida, resíduos orgânicos do setor agroindustrial serão transformados em componentes biogênicos destinados à formação de um microbioma controlado. Na etapa final, o substrato produzido será aplicado em áreas degradadas e acompanhado por monitoramento digital em tempo real.
A universidade afirmou que mais de 56% das terras agrícolas da Rússia já apresentam algum grau de degradação. Entre os principais problemas estão erosão, salinização, perda de húmus, compactação do solo e desertificação.
"O solo é um recurso renovável apenas de forma condicional. A recuperação natural é tão lenta que, na prática, estamos lidando com uma perda irreparável. As mudanças climáticas apenas aceleram esse processo: as secas se tornam mais frequentes, a erosão eólica mais intensa, e os métodos tradicionais de manutenção da fertilidade na forma de fertilizantes e obras de recuperação já não dão conta", afirmou a chefe do Departamento de Ciência do Solo e Avaliação de Recursos Fundiários da Academia de Biologia e Medicina D.I. Ivanovsky da YuFU, Tatiana Minkina.
Segundo a especialista, é necessária uma abordagem fundamentalmente diferente para combater a desertificação, proposta que está no centro da nova iniciativa ecológica e climática.