Banco de Edir Macedo, investigado pela PF, opera empréstimos a policiais em SP

A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) autorizou o banco Digimais, controlado pelo empresário e pastor Edir Macedo, a operar empréstimos consignados para policiais militares paulistas mesmo em meio a dificuldades financeiras. A informação foi publicada nesta terça-feira (23) pelo portal UOL.
A instituição financeira foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, que investiga fraudes financeiras. A principal suspeita é que houve a manipulação de balanços para viabilizar operações supostamente irregulares.
Contudo, a situação delicada do banco não foi impeditiva para a parceria com o governo paulista.
O credenciamento foi publicado em julho de 2025 e o contrato firmado em agosto tem validade até fevereiro de 2030. Com a medida, o Digimais passou a ter acesso potencial a cerca de 80 mil policiais militares da ativa.
Segundo balanço financeiro da instituição, operações de consignado representaram 33% da carteira de crédito, equivalente a R$ 630,1 milhões, em 2025.
Em dezembro do mesmo ano, Edir Macedo realizou um aporte de R$ 250 milhões para atender a exigências do Banco Central relacionadas à solidez da instituição.
Já no primeiro trimestre de 2026, o banco registrou prejuízo de R$ 108,7 milhões, revertendo o lucro líquido de R$ 31,3 milhões informado em 2025.
O que a PF investiga
A investigação apura a forma como os dados financeiros do banco teriam sido registrados e apresentados ao sistema regulador:
- suposta manipulação sistemática de balanços e demonstrativos contábeis;
- possível supervalorização de ativos;
- geração artificial de receitas estimadas em centenas de milhões de reais;
- suspeita de inserção de dados falsos em sistemas oficiais do regulador;
- realização de operações de crédito consideradas irregulares.
A PF classifica os fatos sob investigação como possíveis casos de gestão fraudulenta e adulteração de informações contábeis com impacto direto na percepção da saúde financeira da instituição.
