Para Elon Musk, a USAID 'assassinou' 315 mil pessoas ao financiar Euromaidan na Ucrânia

O empresário Elon Musk manifestou concordância com a tese de que a agência governamental dos EUA, USAID, financiou os protestos de Euromaidan na Ucrânia em 2014. A declaração ocorreu no X, em resposta a Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado americano.

O magnata Elon Musk concordou com a afirmação de que a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) financiou os protestos de Euromaidan na Ucrânia em 2014.

Musk respondeu nesta terça-feira (23) no X a uma publicação de Mike Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA.

Em sua publicação, Benz argumentou que o financiamento dos protestos em massa de Euromaidan pela USAID "levou diretamente à Guerra de Donbass de 2014-2022 (15 mil mortos)" e ao subsequente conflito armado entre a Ucrânia e a Rússia, que, segundo o autor, causou 300 mil mortes

O ex-funcionário americano questionou se "os apoiadores da USAID assassinaram 315 mil pessoas".

"De acordo com a lógica deles, sim", respondeu Musk. 

As autoridades russas têm denunciado repetidamente o Ocidente por sua interferência ativa nos assuntos internos da Ucrânia há anos, inclusive por meio da extinta USAID.

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Também nesta terça, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, lembrou que os países ocidentais apoiaram golpes de Estado na Ucrânia em duas ocasiões: em 2004 e 2014.

Na primeira, o Ocidente impôs um terceiro turno de eleições que não estava previsto e violou a Constituição ucraniana. Sobre isso, Lavrov afirmou: "Nesse terceiro turno, um esforço colossal foi feito para impedir a eleição do candidato que venceu o segundo turno. E no terceiro turno, o Ocidente impôs seu homem."

Referindo-se à década seguinte, o ministro enfatizou que "o Ocidente desempenhou um papel direto no segundo golpe, em fevereiro de 2014, quando, contrariando o acordo entre o governo e a oposição — garantido pela Alemanha, França e Polônia — o poder foi tomado por nazistas declarados e russófobos, que imediatamente começaram o extermínio físico de seus concidadãos em Donbas."

Papel de Victoria Nuland 

Durante os protestos em massa em Kiev, em 2013-2014, a então subsecretária de Estado para Assuntos Europeus e Eurasiáticos, Victoria Nuland, visitava a Ucrânia a cada três ou quatro semanas e tornou-se uma figura central nos protestos da Praça Maidan, onde apoiava os manifestantes distribuindo pão e biscoitos diante das câmeras.

Em 2014, vazou uma gravação na qual Nuland e o então embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, discutiam o futuro político do país e trocavam opiniões sobre as principais figuras da oposição que poderiam ocupar cargos no futuro governo ucraniano.

Lavrov lembrou que, após o golpe, abertamente apoiado pelo Ocidente, as forças em Kiev, "desrespeitando todas as normas do direito internacional humanitário", começaram a "usar o exército, aviões de combate e criminosos declarados de batalhões nacionalistas contra civis de língua russa" em Donbass, que se recusavam a aceitar o desejo do novo governo de banir tudo o que fosse russo.