O Estreito de Ormuz não voltará às condições pré-guerra e sua administração será exercida pelo Irã, de acordo com o direito internacional, declarou o presidente do Parlamento iraniano e chefe da equipe de negociação, Mohammad Bagher Ghalibaf, ao retornar das negociações com os EUA na Suíça, segundo a agência IRNA.
"Todos devem saber que a administração do Estreito de Ormuz nunca mais será como era antes da guerra", afirmou Ghalibaf.
O deputado acrescentou que, embora as normas internacionais sejam respeitadas, caberá ao Irã administrar a passagem marítima.
As declarações foram feitas horas depois de Trump afirmar, durante um evento na Casa Branca, que os Estados Unidos detêm o controle total do estreito e dispõem de uma frota naval capaz de impor um bloqueio na região.
A troca de declarações ocorre em meio aos esforços de ambas as nações para avançar em um entendimento mais amplo, após o término, em 22 de junho, em Lucerna (Suíça), da primeira rodada de negociações entre os dois governos, após a assinatura do um acordo para pôr fim à guerra dos EUA e de Israel contra a República Islâmica.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinaram em 18 de junho um memorando de 14 pontos, após negociações mediadas pelo Paquistão.
O acordo, já em vigor, estabelece um prazo de 60 dias para a assinatura de um tratado definitivo que inclua a cessação das hostilidades (também no Líbano), o levantamento gradual das sanções, o fim do bloqueio naval e a normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz em 30 dias.
- O parágrafo 5 do memorando estabelece que o Irã "adotará todas as medidas possíveis para garantir a passagem segura dos navios mercantes" no estreito, sem cobrança de taxas, por 60 dias — prazo que coincide com o período para negociar um acordo final. A intenção inicial de Teerã era implementar posteriormente um sistema de pedágio permanente, embora, na noite desta segunda-feira (22), o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi, tenha escrito no X que, em uma reunião em Mascate com 0 chanceler iraniano, Abbas Araghchi, eles confirmaram seu compromisso com a livre navegação no estreito. Omã, assim como o Irã, é um dos dois países ribeirinhos dessa via marítima.