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China impõe restrições a 10 empresas dos EUA em resposta a sanções

Entre as empresas afetadas estão companhias ligadas à cadeia de suprimentos de terras raras, bem como um fabricante de motores para aplicações de missão crítica.
China impõe restrições a 10 empresas dos EUA em resposta a sançõesDavid McNew / Gettyimages.ru

Dez empresas dos Estados Unidos foram incluídas nesta segunda-feira (22) na lista de controle de exportações da China, medida que endurece significativamente as restrições sobre produtos de uso duplo destinados a essas companhias. A decisão foi tomada em resposta à recente ampliação, por parte de Washington, da lista de entidades supostamente vinculadas à indústria militar chinesa, informou o Global Times.

"A medida é uma resposta à decisão dos EUA de ampliar sua chamada lista de entidades da indústria militar chinesa e tem como objetivo proteger a segurança nacional da China e cumprir os compromissos de não proliferação", explicou um porta-voz do Ministério do Comércio.

O novo pacote de restrições, que entrou em vigor após sua publicação, proíbe exportadores chineses de fornecer produtos de uso duplo às empresas incluídas na lista. Também impede que organizações e indivíduos de qualquer país transfiram ou facilitem esses produtos às entidades afetadas, salvo autorização excepcional do ministério. Além disso, todas as exportações em andamento devem ser suspensas imediatamente.

Empresas sob restrições

Segundo a Reuters, entre as empresas afetadas estão a MP Materials e a USA Rare Earth, ambas ligadas à cadeia de suprimentos de terras raras. A MP Materials opera a única mina ativa desse recurso nos EUA e conta com apoio do Pentágono. Também foi incluída a Aveox, fabricante de motores para aplicações de missão crítica.

No entanto, analistas avaliam que a medida de Pequim tem impacto mais simbólico do que prático.

"A maioria dessas empresas atua na indústria de defesa dos EUA ou possui estreitas conexões com o governo americano. Elas não fazem negócios na China, portanto o impacto será bastante simbólico", afirmou George Chen, sócio para a Grande China da consultoria geopolítica Asia Group.

A agência também informou que, em comunicado separado, o Ministério das Finanças da China anunciou restrições contra outras 46 empresas americanas, proibindo compradores públicos chineses de adquirir produtos fabricados por elas. As companhias de capital americano que operam no país asiático, porém, estão isentas da medida.

Medidas de retaliação

No dia 9 de junho, os Estados Unidos incluíram as gigantes tecnológicas Alibaba e Baidu, além da montadora BYD, em sua lista de empresas que supostamente colaboram com o Exército de Libertação Popular da China.

Com a medida, as companhias perdem a possibilidade de disputar contratos de defesa americanos e podem enfrentar dificuldades para acessar os mercados de capitais dos EUA.

Em resposta, o Ministério do Comércio da China rejeitou a decisão e afirmou que ela viola o consenso alcançado semanas antes durante a reunião em Pequim entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

A pasta instou Washington a revogar a decisão e "retomar o caminho correto para a construção de uma relação estratégica, construtiva e estável entre China e Estados Unidos". Caso contrário, Pequim advertiu que adotará "fortes medidas de retaliação" e que Washington "assumirá total responsabilidade pelas consequências".