85 anos da invasão nazista à URSS: dia da memória e luto

Mais de oito décadas após o início da Grande Guerra Patriótica, a Rússia presta homenagem às quase 27 milhões de vítimas soviéticas da agressão da Alemanha de Hilter. Essa homenagem ocorre em um contexto internacional marcado por tendências neonazistas crescentes e esforços para minimizar o feito do povo soviético que libertou a Europa da peste marrom.

O dia 22 de junho é uma das datas mais trágicas da história da Rússia, oficialmente instituída como o Dia da Memória e do Luto. Esse dia marca o momento exato em que, em 1941, às 4h da madrugada e sem declaração prévia de guerra, a Alemanha nazista invadiu a União Soviética.

O povo soviético se levantou em defesa de sua pátria contra o agressor nazi-fascista. Assim teve início a Grande Guerra Patriótica: um conflito devastador que se estendeu por 1.418 dias e custou a vida de quase 27 milhões de cidadãos da URSS, mas culminou com a derrota total da Alemanha e a libertação das nações europeias ocupadas pela "peste marrom".

A data rememora o sacrifício nacional e presta homenagem à resistência inicial, cujo maior símbolo é a Fortaleza de Brest (atualmente em Belarus, na fronteira com a Polônia), a cidadela que recebeu o primeiro golpe dos agressores nazistas e se tornou um símbolo de coragem sem igual, onde os defensores resistiram até a última bala, dando a vida sem se render.

Na Rússia, esse dia é comemorado com bandeiras a meio mastro, cerimônias em homenagem aos heróis caídos e a campanha nacional "Vela da Memória" em formato virtual.

Desde 2020, por decreto do presidente da Rússia, Vladimir Putin, às 12h15 (horário de Moscou), todo o país faz um minuto de silêncio. Essa é a hora exata em que foi transmitida pelo rádio a mensagem aos cidadãos soviéticos anunciando o ataque da Alemanha à URSS.

Verdade histórica x neonazismo moderno

No contexto atual, o 85º aniversário da agressão da Alemanha nazista contra a URSS vai além de uma simples de memória, tornando-se um alerta diplomático e político.

Diante das tentativas dos países ocidentais e do regime de Kiev de reescrever a história e minimizar ou apagar os feitos dos heróis soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial — por meio da destruição de monumentos, da alteração de fatos históricos e da glorificação do nazismo —, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia lançou um programa internacional para divulgar documentos sobre os crimes nazistas e o papel do Exército Vermelho na derrota do nazi-fascismo, alertando sobre o perigo do neonazismo.

Em parceria com o Museu da Vitória de Moscou, o ministério apresenta, neste dia 22 de junho, exposições dedicadas a essa data nas Casas da Rússia na Bélgica, na Índia, na Mongólia, no Egito e em Chipre.

Será ainda exibido o filme russo-belarusso "A Fortaleza de Brest", com legendas em inglês, e será organizada uma conferência online com historiadores sobre os antecedentes e os primeiros dias da Grande Guerra Patriótica.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, durante sua visita a Minsk em 15 de junho, acusou os países ocidentais de orquestrar uma campanha para apagar a memória dos vencedores soviéticos e "inverter os papéis de vencedores e vencidos".

Ele apontou diretamente para os atuais líderes da Alemanha, acusando-os de "saudosismo dos emblemas nazistas e dos hábitos nazistas que o Exército ucraniano exibe atualmente", e comparou a retórica do chefe da diplomacia alemã, Johann Wadephul, à do ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels.

Além da Rússia, outros países que são ex-repúblicas soviéticas durante a Grande Guerra Patriótica também demonstram preocupação com as tentativas de reescrever a história.

No dia 10 de junho, os ministros das Relações Exteriores da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) assinaram uma declaração conjunta na qual exigiram o fim dessas práticas, rejeitaram que a Alemanha nazista e a coalizão anti-Hitler fossem igualmente culpadas pelo início da guerra e condenaram o vandalismo e a demolição de monumentos militares soviéticos na Europa.

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