Uma delegação composta por representantes da Petróleos Mexicanos (Pemex) e do Ministério de Energia viajará ao Brasil na segunda-feira (22) para formalizar um acordo de colaboração com a Petrobras, informou o governo mexicano no sábado (19).
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou que não participará pessoalmente da assinatura inicial, embora consulte sua equipe jurídica sobre eventual necessidade de ratificação presidencial futura.
A iniciativa nasceu de uma ligação telefônica realizada no início deste ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a parceria a Sheinbaum, atendendo solicitação da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Desde então, missões técnicas em ambos os países pavimentaram o caminho para a assinatura programada, culminando meses de negociações.
Ampliando fronteiras de cooperação
O pacto estabelecerá uma estrutura abrangente de cooperação em áreas estratégicas do setor energético.
Entre os campos contemplados estão exploração e desenvolvimento de projetos conjuntos no Golfo do México, compartilhamento de conhecimento técnico especializado, modernização de refinarias, produção de biodiesel e fortalecimento da indústria petroquímica.
A urgência mexicana reflete a realidade crítica da queda em sua produção de petróleo, que despencou de um pico histórico de 3,4 milhões de barris diários para aproximadamente 1,6 milhão atualmente.
Simultaneamente, a Pemex acumula uma dívida de quase US$ 80 bilhões (cerca de R$ 412 bilhões) de dólares, tornando-se a companhia petrolífera mais endividada globalmente. A grave escassez de pessoal qualificado e equipamentos para perfuração em águas profundas agrava ainda mais o cenário.
Expertise Made in Brasil
A Petrobras desenvolveu ao longo de décadas domínio incomparável em perfuração ultraprofunda, transformando os campos do pré-sal brasileiro em reservatórios extraordinariamente produtivos.
Essa expertise resultou em crescimento de 10% na produção em 2025, uma competência de que a gigante mexicana precisamente carece. Seus desafios passam por recuperar a produção em poços maduros, incluindo os do emblemático campo de Cantarell.
Para Sheinbaum, aliar-se a outra estatal permite acessar conhecimento especializado internacional sem transferir recursos petrolíferos a empresas privadas ocidentais, preservando princípios governamentais.
Para a Petrobras, cujas ações circulam em Nova York e São Paulo, a parceria representa uma oportunidade de expandir sua presença internacional enquanto mantém investimentos recordes domesticamente, estendendo sua competência técnica em novas fronteiras.