Com EUA em retração, país asiático emerge como gigante global no mercado de armas — Politico

Quatro principais empresas desse país devem faturar US$ 37 bilhões em 2026, quadruplicando os valores de 2021, tornando-o o segundo maior fornecedor para membros europeus da OTAN.

A Coreia do Sul se consolidou como nono maior exportador de armamentos global e um dos que apresentam crescimento mais acelerado no setor, conforme relatório do Instituto Internacional de Estudos para a Paz de Estocolmo (SIPRI), noticiado no sábado (20) pelo jornal americano Politico.

Essa trajetória teve início durante a Guerra do Vietnã, quando o presidente Richard Nixon anunciou que aliados asiáticos deveriam assumir maior responsabilidade por sua própria defesa. A retirada de aproximadamente 20 mil soldados americanos da península coreana gerou profunda ansiedade no país, cuja memória da Guerra da Coreia, ocorrida menos de duas décadas antes, ainda permanecia vívida.

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A resposta veio através do ditador Park Chung-hee, que promoveu investimentos massivos na indústria bélica nacional, licenciando produção de armas estrangeiras e, ocasionalmente, adaptando tecnologias mediante engenharia reversa.

Preenchendo um vácuo

O cenário geopolítico atual criou demanda urgente por armamentos, enquanto a postura isolacionista e antagonística do governo de Donald Trump nos EUA enfraqueceu a confiança de tradicionais aliados americanos, que questionam a confiabilidade do país em momentos críticos.

Essa conjuntura favoreceu empresas sul-coreanas como Hanwha Group, Hyundai Rotem, LIG Nex1 e Korea Aerospace Industries, cujo faturamento combinado projetado para 2026 alcança US$ 37 bilhões (cerca de R$ 190,6 bilhões) — quase quatro vezes superior ao registrado em 2021.

Notavelmente, o país asiático se posicionou como segundo maior fornecedor de armamentos para nações europeias da OTAN, superado apenas pelos Estados Unidos.

Limites ao crescimento

Apesar do impressionante crescimento, desafios significativos persistem. A meta ambiciosa de se tornar o quarto maior exportador mundial até 2030 enfrenta obstáculos como reputação ainda inferior à de concorrentes estabelecidos, especialmente em aeronaves e grandes embarcações navais.

Adicionalmente, a Europa intensifica esforços por "autonomia estratégica", priorizando fornecedores locais, enquanto o Japão recentemente eliminou restrições à exportação de armas letais, prometendo acirrar a competição regional.

Contudo, independentemente de alcançar suas metas numéricas, a própria declaração de ambição transmite uma mensagem essencial ao mercado da guerra: a Coreia do Sul se consolidou como um fornecedor confiável e estável em um cenário internacional cada vez mais inflamado.