Aos gritos, embaixador de Israel confronta representante da ONU em evento sobre violência sexual

Danny Danon acusou oficiais da organização de viés político e ordenou silêncio à representante que citou evidências verificadas sobre violações israelenses.

Durante evento da ONU dedicado ao Dia Internacional pela Eliminação da Violência Sexual em Conflitos na sexta-feira (19), o embaixador israelense Danny Danon protagonizou um confronto que expôs profundas tensões diplomáticas.

O episódio ocorreu após agências israelenses serem incluídas em lista negra de Estados e grupos terroristas acusados de violência sexual em zonas de conflito.

Danon dirigiu críticas contundentes a Pramila Patten, representante especial do secretário-geral para violência sexual em conflitos, exigindo sua renúncia.

Segundo o embaixador, ela teria cedido à pressão política ao elaborar relatório que pela primeira vez enquadrou Israel nessa classificação, ao lado de organizações como o Estado Islâmico e o Boko Haram.

Quando Vanessa Frazier, representante para crianças e conflitos armados, tentou intervir alegando possuir evidências verificadas, o diplomata israelense reagiu de forma incisiva, ordenando que ela permanecesse em silêncio e qualificando seu relatório como vergonhoso.

Acusações

O relatório de Frazier, divulgado recentemente em nome do secretário-geral António Guterres, alertou sobre possível inclusão de grupos de colonos israelenses na lista negra global por violações contra crianças, destacando elevação alarmante nas violações contra menores palestinos.

Segundo o documento, as crianças sofreram o maior nível de violações graves desde a criação do mandato há três décadas, com forças governamentais responsáveis pela maioria dos abusos pela primeira vez na história.

Israel contestou veementemente o relatório, afirmando ter cooperado amplamente com as investigações, fornecido documentação detalhada e convidado oficiais da ONU para visitas presenciais.

Autoridades israelenses argumentaram que, apesar das informações apresentadas, Guterres optou por decisão política.

Como consequência, o Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou rompimento de vínculos com o gabinete do secretário-geral enquanto ele permanecer no cargo, que encerra após dez anos no final do ano.