
Justiça torna réus ex-assessores de Carlos Bolsonaro por suposta rachadinha na Câmara do Rio

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio, e outros seis ex-assessores investigados por participação em um esquema de rachadinha, informou o portal g1 nesta sexta-feira (19). Com a decisão, os acusados passaram à condição de réus pelos crimes de organização criminosa e peculato.
A decisão foi assinada pelo juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. Segundo o magistrado, "a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro" e "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada".
De acordo com a denúncia, Jorge Luiz Fernandes foi o "líder e mentor da organização". Nomeado em 2001, ele assumiu a chefia de gabinete em 2018. A decisão também afirma que ele era "amigo da família Bolsonaro" e que "articulou a nomeação dos demais denunciados".

Repasses de salários
Segundo a Justiça, os assessores realizavam saques e transferências em benefício de Jorge Fernandes após receberem os salários. O Ministério Público sustenta que os seis servidores denunciados repassaram ao então chefe de gabinete cerca de R$ 1,9 milhão entre junho de 2005 e dezembro de 2021.
Entre os réus está Regina Célia, esposa de Jorge Fernandes. Conforme as investigações, ela transferiu mais de R$ 800 mil para a conta do marido. Outra ex-assessora, Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, é acusada de movimentar cerca de R$ 650 mil em saques e transferências destinados a Jorge.
Carlos Bolsonaro fora da denúncia
Carlos Bolsonaro não integra a lista dos denunciados. A denúncia apresentada pelo Ministério Público em setembro de 2024 resultou no arquivamento da apuração contra o então vereador.
Na ocasião, o promotor Alexandre Murilo Graça afirmou que depoimentos, relatórios e laudos não indicaram circulação de valores ou pagamentos para Carlos Bolsonaro.
No início de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga apontou omissões e contradições na investigação e determinou o envio do caso à Procuradoria-Geral de Justiça. Em março deste ano, o Ministério Público do Rio reabriu a apuração sobre a suspeita de rachadinha envolvendo o ex-vereador. A investigação continua em andamento.
Os sete réus terão dez dias para apresentar defesa por escrito. Após a análise das manifestações, a Justiça deverá marcar as audiências para ouvir as testemunhas do processo.

