Trump se pronuncia sobre possível ação militar em Cuba

Na quinta-feira (18), Díaz-Canel enviou uma mensagem aos EUA: "Deixem Cuba comercializar, comprar seus medicamentos, importar seu combustível, receber investimentos, créditos e financiamentos".

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou nesta sexta-feira (19) sobre uma possível intervenção militar em Cuba horas depois de as autoridades da ilha denunciarem que Washington "quer impor" ao país uma determinada agenda.

Questionado pelo portal Axios sobre até que ponto uma hipotética ação militar contra Cuba se assemelharia à que ele autorizou no início do ano na Venezuela, o republicano respondeu: "A diferença é que a Venezuela tem petróleo, Cuba não".

Após a insistência da pergunta no programa The Axios Show, Trump declarou: "É possível. Esses lugares estão perto. Já se você olhar para o Irã, é uma viagem muito longa (...) A Venezuela está relativamente perto e Cuba está a um passo".

"Cuba quer conversar desesperadamente", afirmou Trump, ao mesmo tempo em que reiterou que o responsável pelas políticas da Casa Branca para a ilha é o secretário de Estado, Marco Rubio, a quem elogiou pelo "grande trabalho".

Ao ser questionado se existe uma "contagem regressiva" para Cuba, agora que foi alcançado um acordo com o Irã, o presidente respondeu que há uma "linha flexível".

A mensagem de Díaz-Canel

Na quinta-feira (18), durante o encerramento da Terceira Sessão Extraordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, dirigiu-se ao governo dos EUA.

"Não se pode falar de liberdade enquanto se empurra deliberadamente um povo inteiro ao desespero pela falta de recursos que hoje são vitais para sua existência."

"Ao governo dos EUA dizemos, sem ódio, mas sem medo: se realmente querem ajudar o povo cubano, deixem-nos viver! Deixem Cuba comercializar; deixem Cuba comprar seus medicamentos; deixem Cuba importar seu combustível; deixem Cuba receber investimentos, créditos e financiamentos, relacionar-se normalmente com seus emigrados e com o mundo. Deixem Cuba mostrar ao planeta do que este povo é capaz quando não há obstáculos aos seus esforços para se desenvolver!", afirmou sob aplausos.

Ao defender as recentes transformações econômicas aprovadas pela Assembleia Nacional, Díaz-Canel criticou "a ameaça de agressão militar" contra a ilha.

Washington mantém o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas, e essa política de cerco e asfixia total foi endurecida especialmente desde que Trump iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025.

No dia 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declara "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região.