
Negociações suspensas e ataques contra o Líbano: a frágil paz entre EUA e Irã

Após os Estados Unidos e Irã assinarem digitalmente na quinta-feira (18) um memorando de entendimento, as negociações entre os dois países que estavam marcadas para esta sexta-feira (19) foram suspensas.
O pacto estipula um cessar-fogo, o compromisso de suspender as sanções contra Teerã, o estabelecimento de um programa definitivo para a reconstrução econômica iraniana e o compromisso da República Islâmica de não fabricar ou adquirir armas nucleares.
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Porém o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, cancelou sua viagem à Suíça, onde estava prevista uma reunião entre delegações iranianas e americanas. Segundo a jornalista da Casa Branca Kellie Meyer, o cancelamento ocorreu apesar das garantias anteriores do Irã de que o plano para a presença das equipes de negociação em Genebra permanecia inalterado.

Fontes do país europeu também confirmaram que as negociações em Burgenstock não acontecerão. O Axios noticiou que o cancelamento da viagem de Vance está ligado às acusações de Teerã de violações do cessar-fogo por Israel no Líbano.
Comentários oficiais
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, elogiou no X nesta quinta-feira (18) a assinatura do pacto entre Teerã e Washington. "Este é um documento histórico e uma mensagem de um Irã poderoso: a paz será alcançada sob a égide do respeito mútuo. A República Islâmica do Irã sempre se manteve firme e comprometida com a paz mundial, preservando sua dignidade e independência, bem como com o progresso e a cooperação regional".
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que, em caso de má-fé, quebra do pacto ou demandas que excedam as condições estipuladas, Teerã "não hesitará em dar uma resposta devastadora". Ghalibaf sustentou que os americanos "já receberam um tapa durante a guerra" e alertou que, se quiserem refazer esse caminho, "vão levar um tapa maior na cara".
Já o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em entrevista ao Axios que para o Irã, a assinatura do memorando é "provavelmente" equivalente a uma "rendição incondicional". Questionado sobre as lições aprendidas na guerra com o Irã em relação à forma como governa, Trump indicou que não vê limites para seu poder.
Ataques israelenses ao Líbano
Uma das condições impostas pelas autoridades do Irã para o fim do conflito regional se trata justamente do fim dos ataques de Israel contra o Líbano e que Tel Aviv retirasse suas forças das áreas ocupadas no sul do país.
Israel justifica que sua agressão contra o Líbano tem como objetivo criar uma chamada zona de segurança e enfraquecer o movimento xiita libanês Hezbollah, evitando assim ataques em seu território. Milhares de casas no sul do país árabe foram arrasadas durante a ofensiva.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram na manhã desta sexta-feira (19) que lançaram ataques noturnos e continuam bombardeando "alvos do Hezbollah" no sul do Líbano. Pelo menos 16 pessoas morreram em ataques israelenses. Moradores das áreas atingidas abandonaram suas casas para se mudar para Beirute.
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou repetidamente Israel por suas ações militares contra o Líbano, em meio aos esforços diplomáticos para alcançar um acordo de paz inicial entre Washington e Teerã.
"Não há necessidade de demolir um prédio residencial toda vez que alguém é procurado, porque muitas pessoas moram nesses prédios. E eu tenho certeza que nem todas elas são membros do Hezbollah ", disse o presidente dos EUA na terça-feira (16) durante uma coletiva de imprensa com o Emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani.
Vance também afirmou na quinta-feira (18) que Israel deve priorizar o processo de paz no Oriente Médio e abster-se de realizar ações "inaceitáveis" como o bombardeio de civis em Beirute.


