A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, divulgou nesta quinta-feira (18) detalhes sobre os biolaboratórios americanos na Ucrânia.
As declaraçõe são baseadas em documentos do Ministério da Defesa russo, no relatório da comissão parlamentar encarregada de investigar o estabelecimento desses centros em território ucraniano e em revelações da diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard.
Em 12 de junho, Gabbard divulgou dados de inteligência "inéditos" que revelam "novas evidências" de financiamento, pelo governo anterior da Casa Branca, de mais de 120 biolaboratórios em cerca de 30 países. Na Ucrânia, o governo americano financiou mais de 40.
"E quantos laboratórios semelhantes existem em outros países da antiga União Soviética, também localizados na fronteira com a Rússia?", questionou a porta-voz.
A investigação determinou que os biolaboratórios na Ucrânia abrigavam "patógenos de guerra biológica da era soviética" e que Washington estava treinando cientistas ucranianos em biocontenção. Os repositórios das instalações incluíam "armas biológicas e patógenos causadores de doenças", como antraz, Ebola, peste, peste suína clássica, tularemia, tuberculose, doença de Newcastle, MERS, SARS, vírus de Marburg, vírus de Lassa e riquétsias (bactérias intracelulares), entre outros.
Casos reveladores
Zakharova indicou que 422 unidades de agentes causadores da cólera e 32 unidades de antraz estavam armazenadas na cidade ucraniana de Odessa, sem supervisão do regime de Kiev.
Entre as doenças animais investigadas estavam a gripe aviária altamente patogênica, a peste suína africana e clássica e a doença de Newcastle. As duas últimas, especificou a porta-voz, são "infecções de importância econômica" capazes de causar estragos no setor agrícola.
"O alcance e o foco dessa atividade, bem como os volumes injustificados de cepas de microrganismos armazenadas, são reveladores", enfatizou.
Zakharova expressou preocupação com o projeto TAP-2, que explorou a possibilidade de disseminação de infecções perigosas por meio de aves migratórias, como a doença de Newcastle ou a gripe altamente patogênica. O projeto também analisou o papel dos morcegos, que podem transmitir agentes da peste, leptospirose e brucelose para humanos, bem como cepas de coronavírus e filovírus.
O que esperar?
"Esperamos que as autoridades americanas concluam sua investigação sobre o financiamento de pesquisas biológicas fora de seu território nacional e decidam tornar públicos todos os dados disponíveis. Confiamos que essas declarações serão seguidas por medidas concretas", afirmou.
Zakharova está confiante de que Washington "chegará a conclusões sobre a necessidade de impedir que um Estado financie programas biológicos para fins militares no território de outro". Ela enfatizou que tais programas representam sérios riscos para as populações civis e países vizinhos, e que, por vezes, o próprio país afetado pode nem sequer estar ciente de que pesquisas militares estão sendo conduzidas em seu território.
"A atividade militar e biológica no território de outros Estados é essencialmente uma forma de neocolonialismo atualmente praticada pelos Estados Unidos e seus aliados", denunciou.