A Autoridade Regulatória Nuclear da Argentina (ARN) emitiu um alerta nacional na terça-feira (16) após o roubo de uma fonte radioativa de césio-137 usada na calibração de equipamentos de medicina nuclear no Instituto de Cardiologia de Rosário Dr. Luis González Sabathie, na província de Santa Fé. As autoridades orientaram a população a não tocar nem manipular o objeto caso ele seja encontrado, informa o portal Página 12.
De acordo com as informações, a ARN recebeu a notificação sobre o desaparecimento da cápsula através de uma funcionária de 67 anos que estava autorizada a manuseá-la. O item estava armazenado em um laboratório de acesso restrito ao pessoal técnico da instituição.
A fonte teve sua última manipulação registrada na sexta-feira (12), sem que fosse possível determinar quem a manuseou. Em seguida, a ARN ativou o protocolo nacional de segurança e determinou a atuação de organismos especializados, além do Corpo de Bombeiros e da Polícia Federal Argentina.
Segundo as autoridades, a cápsula contém Césio-137 "em forma de gel, contido em um recipiente plástico transparente" e protegido por sua blindagem adequada. Embora o risco radiológico tenha sido classificado como muito baixo, a recomendação é comunicar imediatamente às autoridades caso o objeto seja localizado.
Amplamente utilizado em aplicações médicas e industriais, o Césio-137 é um isótopo radioativo artificial que emite radiação beta e gama. De acordo com as autoridades, seu manuseio inadequado pode provocar queimaduras, danos celulares e doenças graves.
Acidente no Brasil
O Césio-137 ficou amplamente conhecido no Brasil após o acidente radiológico ocorrido em Goiânia, capital de Goiás, em setembro de 1987. O episódio começou após o manuseio indevido de um aparelho de radioterapia abandonado nas instalações do antigo Instituto Goiano de Radioterapia. A violação do equipamento liberou material radioativo no ambiente e resultou na contaminação direta e indireta de centenas de pessoas.
A fonte radioativa continha cloreto de césio e acabou sendo vendida como sucata devido à presença de chumbo em sua estrutura. Fragmentos do material, que apresentavam um brilho azul, foram distribuídos entre depósitos de ferro-velho, parentes e amigos dos envolvidos, espalhando a contaminação por diferentes áreas da cidade e tornando o caso um dos acidentes radiológicos mais graves da história.