O lado sombrio do home office: estudo revela sérios impactos na saúde mental

A pesquisa analisou dados de 568 mil pessoas nos Estados Unidos entre 2011 e 2024, deixando de fora os dados de 2020 e 2021, os anos de pico da pandemia de covid-19.

O modelo de trabalho remoto, embora amplamente desejado por profissionais pela flexibilidade, pode estar cobrando um preço alto para o bem-estar psicológico.

Uma pesquisa, publicada na revista científica Science em 4 de junho, revela que a modalidade de home office está diretamente ligada ao aumento do isolamento social e ao agravamento de quadros de depressão e ansiedade, especialmente entre pessoas que residem sozinhas.

O estudo analisou dados de 568 mil pessoas nos Estados Unidos entre 2011 e 2024, deixando de fora os dados de 2020 e 2021, os anos de pico da pandemia de covid-19.

A análise aponta que o trabalho remoto é responsável por cerca de um terço do aumento no sofrimento psicológico registrado no período.

O impacto é mais severo para quem mora só: o tempo de solidão diária aumentou significativamente, e a probabilidade de passar o dia de trabalho sem qualquer interação social subiu para 83% nesse grupo.

Perda do convívio laboral

Os pesquisadores destacam que a socialização fora do expediente não compensa a perda do convívio laboral, que é uma das principais fontes de conexão humana.

As consequências clínicas também são evidentes. Trabalhadores em regime remoto apresentam uma probabilidade 4,6% maior de buscar auxílio profissional e registram um aumento no uso de antidepressivos.

Apesar de o home office seguir popular — com muitos profissionais dispostos a reduzir salários para mantê-lo —, especialistas alertam que os efeitos nocivos à saúde mental podem ser silenciosos e levar tempo para se manifestar plenamente.