
Alarme na Alemanha: gigante da indústria automotiva admite 'ameaça existencial'

A direção da Volkswagen acredita que o grupo enfrenta uma questão de sobrevivência, segundo pesquisa interna cujos resultados foram revelados por uma investigação da revista Manager Magazin, citada pela Der Spiegel.
A pesquisa foi realizada anonimamente entre membros do conselho de administração e do conselho fiscal, com o objetivo de avaliar o nível de coesão interna.

De acordo com o relatório, o diagnóstico foi grave: seis dos nove membros do conselho entrevistados classificaram a situação atual como uma ameaça existencial para a empresa, enquanto os outros três a descreveram como "tensa".
Ninguém selecionou uma opção equivalente a "não crítica". Todos os nove defenderam uma mudança estratégica radical e também fizeram avaliações particularmente duras da estratégia na China e na América do Norte.
A revista observa que essa leitura interna coincide com a recente publicação de resultados trimestrais fracos pelas marcas da maior fabricante de automóveis da Europa, um contexto que aumenta a pressão para a necessidade de reorientação.
A custosa recuperação da sua subsidiária Porsche no outono passado foi um duro golpe para a Volkswagen no terceiro trimestre, resultando num prejuízo operacional de 1,3 bilhões de euros (US$ 1,5 bilhões) fora os bilhões de euros em custos à já existente pressão das tarifas americanas.
Consequentemente, em dezembro, a empresa interrompeu a produção de veículos na sua fábrica de Dresden pela primeira vez nos seus 88 anos de história.
Declínio econômico
Desde o início da pandemia em 2019, a Alemanha, a maior economia europeia, não conseguiu retomar seu crescimento e seu modelo de exportação enfrenta sérias dificuldades devido à forte concorrência chinesa e aos elevados preços da energia.
A indústria automobilística alemã continua sendo uma das mais afetadas pelas crescentes tensões econômicas e políticas entre a União Europeia e os EUA, que seguem ameaçando aumentar as tarifas sobre carros e caminhões do bloco para 25%.
Alemanha enfrenta ainda novas pressões sobre o seu abastecimento de combustível em meio à volatilidade energética gerada pela guerra contra o Irã.
A União Europeia rompeu com o gás russo barato, base de sua indústria, e o substituiu, entre outras fontes, pelo gás natural liquefeito dos EUA, muito mais caro. O presidente russo Vladimir Putin afirmou, em outubro do ano passado, que a renúncia à energia russa provocou efeitos negativos na economia europeia, como queda da produção industrial, alta dos preços de energia e perda de competitividade dos produtos europeus.
