Adultos expostos passivamente à fumaça do tabaco têm níveis 1,5 vezes maiores de cádmio, um metal tóxico ligado ao câncer, no sangue do que aqueles que vivem em ambientes livres de fumo, revelou uma pesquisa da Escola de Saúde Pública da Texas A&M University, EUA publicada em abril.
No entanto, os níveis ainda eram muito mais baixos do que em fumantes ativos que, em comparação, tinham mais de três vezes mais cádmio no sangue.
"Essa informação é importante porque o cádmio se acumula no corpo ao longo do tempo e é um fator de risco para câncer de rim, pulmão e próstata", comentou Nandita Sarker, primeira autora do estudo.
De acordo com os resultados, o sexo biológico também desempenha um papel. Em todas as faixas etárias analisadas, as mulheres apresentaram níveis de cádmio mais elevados do que os homens. "Essa diferença se deve a fatores biológicos básicos: o trato digestivo feminino absorve o cádmio com muito mais eficiência do que o masculino, especialmente durante grandes alterações hormonais, como menstruação, gravidez e menopausa", observa o comunicado.
Fatores mais amplos
A pesquisa também revelou que pessoas pertencentes a minorias raciais ou com menor renda ou menor nível educacional enfrentam exposição significativamente maior a esse metal perigoso. No entanto, os autores esclarecem que essas pessoas também são influenciadas por outras circunstâncias.
"A disparidade não pode ser explicada apenas pelos hábitos de fumar, mas é provavelmente o resultado de desigualdades sociais, ambientais e financeiras mais amplas", explicou Sarker.
Ela afirmou que "nesses casos, o cádmio geralmente vem de habitações multifamiliares superlotadas, onde a fumaça se espalha através de sistemas de ventilação compartilhados ou da indústria de alimentos, do solo e dos gases de escape do tráfego."
No entanto, a especialista indicou que o estudo tem limitações porque a cotinina, substância química que o corpo produz quando processa a nicotina, só permanece no corpo humano por aproximadamente 15 a 20 horas. "Esse curto espaço de tempo significa que um único teste de laboratório não consegue distinguir entre alguém que acabou de sair de uma sala cheia de fumaça e um fumante ocasional, nem pode rastrear a ingestão dietética de cádmio ao longo de várias décadas", explicou.