O que se sabe sobre a cúpula Rússia-ASEAN que começa hoje em Kazan?

O evento marca três décadas e meia de relações diplomáticas, com expectativa de assinatura de acordos sobre energia, cultura e plano de ação até 2030.

A cidade russa de Kazan se prepara para receber, nos dias 17 e 18 de junho, uma cúpula comemorativa que celebra 35 anos de relações entre a Rússia e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

O encontro reunirá o presidente Vladimir Putin e representantes dos 11 países que atualmente integram a organização regional, consolidando uma parceria que evoluiu significativamente desde os primeiros contatos estabelecidos em 1991.

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, revelou que as discussões abordarão questões globais e regionais de caráter urgente, além de avaliarem os resultados acumulados ao longo dessas três décadas e meia de cooperação.

O objetivo central consiste em traçar perspectivas para o desenvolvimento futuro da parceria estratégica, oficialmente estabelecida durante a cúpula de Singapura em 2018.

Quais líderes estão participando?

O evento contará com a presença do presidente russo Vladimir Putin, juntamente com o sultão de Brunei, Hassanal Bolkiah; o presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr.; e os primeiros-ministros do Vietnã, Camboja, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Timor-Leste.

A Indonésia enviará seu ministro das Relações Exteriores, Sugiono, enquanto Myanmar será representado pelo secretário permanente de sua chancelaria, Hau Khan Sum. O secretário-geral da ASEAN, Kao Kim Hourn, também marcará presença no evento.

Principais pontos da agenda

A programação oficial terá início na quarta-feira (17), às 18h (horário local), com uma recepção no Teatro Acadêmico de Kazan. Putin receberá os chefes de delegação para um breve concerto seguido da recepção formal. Os principais eventos, contudo, ocorrerão na quinta-feira (18), no Centro Internacional de Exposições Kazan Expo.

Após a tradicional foto de grupo, a primeira sessão será copresidida por Putin e pelo líder filipino. Uma segunda sessão, estruturada como café da manhã de trabalho, focará nos processos de integração no espaço eurasiático.

Paralelamente à agenda oficial, Putin conduzirá uma série de reuniões bilaterais, algumas das quais começarão antes mesmo da programação formal.

Assinatura de documentos

Ao final da primeira sessão, está prevista a assinatura de quatro documentos:

Segundo Ushakov, a Declaração de Kazan refletirá as perspectivas compartilhadas da Rússia e da ASEAN sobre a agenda internacional e a direção da cooperação futura.

O documento enfatizará, em particular, o compromisso das partes com a construção de uma ordem mundial justa, democrática e multipolar, baseada em princípios universalmente reconhecidos do direito internacional e na Carta da ONU.

O Plano de Ação Abrangente estabelecerá medidas concretas para expandir a cooperação em múltiplas áreas: política, segurança, comércio, investimentos, energia, agricultura, ciência e tecnologia, entre outras.

Empreendimentos

Durante a cúpula, Kazan também acolherá o Fórum Empresarial Rússia-ASEAN, que concentrará discussões em tecnologias da informação, inteligência artificial, comércio internacional, logística, conectividade de transporte e cooperação entre a União Econômica Eurasiática e a ASEAN.

O evento atrairá o primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim, o secretário-geral Kao Kim Hourn, além de líderes empresariais de mais de 15 países, incluindo Bangladesh, Cazaquistão, Quirguistão, China, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

Parceria estratégica

As relações entre a Rússia e a ASEAN remontam a 1991. Em 1996, a Rússia se tornou parceira de diálogo da associação e, em 2018, na cúpula de Singapura, as partes elevaram oficialmente seus laços ao nível de uma parceria estratégica.

A ASEAN, criada em 1967, consolidou-se como uma das maiores organizações regionais do mundo, com população de quase 700 milhões de habitantes, PIB combinado de US$ 3,9 trilhões (cerca de R$ 19,9 trilhões, a quinta posição mundial) e fluxo comercial externo de US$ 3,8 trilhões.

Ela é um elemento estruturante da arquitetura de segurança e cooperação na região Ásia-Pacífico, buscando garantir estabilidade regional, promover integração interna e reduzir disparidades de desenvolvimento entre seus membros.

A Rússia e a ASEAN mantêm atualmente intercâmbio político estável e construtivo em diversos níveis, coordenando posições sobre questões internacionais e regionais, desenvolvendo contatos interinstitucionais e ampliando a cooperação parlamentar e empresarial.

Para impulsionar essa dinâmica, opera um fundo de parceria destinado a financiar projetos conjuntos, complementado pelo Conselho Empresarial Rússia-ASEAN e por diálogos comerciais anuais entre as partes.

Os números comerciais refletem essa aproximação, ao passo que nos últimos dez anos, o comércio entre a Rússia e os países da associação cresceu 60%, atingindo aproximadamente US$ 22 bilhões (cerca de R$ 112 bilhões).