
Parlamento Europeu investiga eurodeputado por participar de fórum econômico na Rússia

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, solicitou ao órgão de supervisão da instituição que avalie se o eurodeputado luxemburguês Fernand Kartheiser violou o código de conduta ao manter contatos com autoridades russas. A informação foi publicada pelo site Politico nesta terça-feira (16).
Segundo a reportagem, Kartheiser participou de pelo menos quatro videoconferências com membros da Duma Estatal da Rússia e realizou duas viagens ao país. O parlamentar afirma que as iniciativas fazem parte de um esforço para contribuir com a paz em meio ao conflito ucraniano.
A visita mais recente ocorreu em 3 de junho, quando Kartheiser participou do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF).

Metsola manifestou preocupação com uma declaração conjunta assinada por Kartheiser e outros eurodeputados com representantes da Duma, na qual as partes concordaram em "continuar e aprofundar" a cooperação.
Em carta datada de quinta-feira (11), a presidente do Parlamento Europeu afirmou que essas declarações geram "séria preocupação" por poderem "deturpar" a posição do Parlamento Europeu.
Em comunicado enviado ao Politico, Kartheiser defendeu os contatos com parlamentares russos como um diálogo informal "iniciado de forma aberta e transparente" desde maio de 2025 e argumentou que "realmente não há alternativa ao diálogo" com a Rússia.
Moscou tem afirmado repetidamente que não representa uma ameaça para a Europa. O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que as elites governantes do Velho Continente estão mergulhadas na histeria de que "a guerra com os russos está logo ali". "É impossível acreditar nisso, embora tentem convencer sua própria população", acrescentou.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, denunciou que o Ocidente demoniza tudo o que é russo e fala abertamente em se preparar para a guerra. "Para justificar suas políticas, o Ocidente, principalmente Bruxelas (...), assim como Berlim, Paris e Londres, naturalmente, tentam demonizar tudo o que é russo e falam abertamente em se preparar para uma guerra conosco em um futuro próximo", destacou. "Foi-nos declarada uma guerra aberta. O regime de Kiev está sendo utilizado como ponta de lança", acrescentou.
