O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou duvidar que o acordo com o Irã alcançado pela atual administração de Donald Trump seja "significativamente diferente" ou represente uma melhora substancial em relação ao pacto firmado durante seu governo. A declaração foi dada à ABC News em um trecho de entrevista divulgado nesta segunda-feira (15).
"É duvidoso que qualquer acordo que surja seja significativamente diferente ou represente uma melhora significativa em relação ao acordo que tínhamos originalmente e pelo qual trabalhamos durante muito tempo antes de nós, os EUA, nos retirarmos dele", disse Obama.
O ex-presidente fez os comentários no programa Good Morning America durante uma visita ao Centro Presidencial Obama, no sábado, um dia antes de Trump confirmar o acordo pelo qual o Estreito de Ormuz foi reaberto.
Obama também afirmou esperar o fim dos bombardeios e a redução do sofrimento da população afetada pela guerra. Segundo ele, é necessário "explorar a diplomacia e esgotar as possibilidades" antes de entrar em um conflito bélico.
Sem citar Trump diretamente em tom de crítica, Obama acrescentou: "Alguém poderia pensar que já teríamos aprendido a lição, mas parece que, de tempos em tempos, precisamos aprendê-la novamente".
No último domingo (14), autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram que o texto do memorando de entendimento entre os dois países já foi concluído e que a assinatura oficial está prevista para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. O anúncio encerra semanas de negociações tensas entre as partes, que em diversos momentos avançaram lentamente.
"O acordo com a República Islâmica do Irã já é uma realidade. Parabéns a todos!", escreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth Social. Na mesma publicação, ele afirmou ter autorizado "plenamente a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz" e o "levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos".
Por sua vez, o vice-ministro para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que, conforme o entendimento alcançado, "a partir desta noite será anunciado o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano".
Um dos principais mediadores das negociações, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também confirmou que o acordo abrange a situação no Líbano.
Autoridades de Teerã haviam indicado anteriormente que a questão nuclear foi adiada para a etapa do acordo final, já que as exigências dos Estados Unidos sobre o tema não são aceitáveis para o Irã neste momento.