A possível adoção de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos poderá atingir 35,2% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, segundo projeção divulgada nesta segunda-feira (15) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A medida seria resultado de propostas do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), após investigações que apontaram supostas práticas brasileiras consideradas restritivas ao comércio com empresas americanas. A versão é contestada pelo Planalto.
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Tamanho do impacto
De acordo com o levantamento, 31,6% das exportações brasileiras passariam a enfrentar uma tarifa de 37,5%, ante os atuais 10%, um aumento de 27,5 pontos percentuais. Outros 3,6% dos embarques seriam taxados em 12,5%, contra os 10% atuais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que as medidas tendem a prejudicar os dois países. "A eventual imposição de novas tarifas não beneficia nenhum dos lados. Elas aumentariam custos para empresas, reduziriam a competitividade e criariam incertezas para investimentos", disse.
Entre os produtos mais afetados está o ferro gusa, que respondeu por US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras aos Estados Unidos em 2024 e poderá ser submetido à tarifa adicional de 37,5%.
Negociações bilaterais
As medidas ainda não têm efeito imediato. Antes de qualquer decisão final, o governo dos Estados Unidos deverá realizar consultas públicas e audiências sobre o tema.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. Integrantes do governo brasileiro trabalham com a possibilidade de discutir temas da relação bilateral entre Brasil e EUA, incluindo a disputa comercial.