O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira (15) que a assinatura de um tratado de paz entre os Estados Unidos e o Irã não significa automaticamente o fim da "luta" de Tel Aviv contra a nação persa.
"A luta não terminou. Teremos de continuar vigilantes e nos defender sempre que for necessário", declarou o premiê. Ele justificou a posição alegando que Teerã pretende destruir o Estado de Israel e que o país tem o direito de se defender dessa ameaça.
Netanyahu também insistiu que o acordo firmado entre autoridades americanas e iranianas deve prever de forma explícita o fim do programa nuclear do Irã. Segundo ele, esse tema representa uma causa pessoal de longa data.
"A missão da minha vida é lutar contra o programa nuclear do Irã", afirmou. O premiê acrescentou ainda que, independentemente do acordo anunciado, "o Irã não terá armas nucleares".
Atritos com Trump
A declaração de Netanyahu ocorre após o primeiro-ministro admitir que tem divergências com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, no entanto, isso faz parte da defesa dos interesses de cada país.
"Há ocasiões em que o presidente Trump e eu discordamos. É preciso defender os interesses de segurança de Israel com sabedoria e prudência", declarou.
Em outra fala, Netanyahu ressaltou que seu governo não está obrigado a seguir todas as propostas apresentadas por Trump, assim como o presidente americano também não precisa concordar com todas as posições de Israel.
"Trata-se de uma relação entre parceiros que se conhecem há muito tempo. Muitas vezes estamos de acordo; às vezes também discordamos. Isso acontece nas melhores famílias", afirmou.
No último domingo, autoridades dos Estados Unidos e do Irã anunciaram que o texto do memorando de entendimento entre os dois países já foi concluído e que a assinatura oficial está prevista para sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. O anúncio encerra semanas de negociações tensas entre as partes, que em diversos momentos avançaram lentamente.
"O acordo com a República Islâmica do Irã já é uma realidade. Parabéns a todos!", escreveu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede social Truth Social. Na mesma publicação, ele afirmou ter autorizado "plenamente a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz" e o "levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos".
Por sua vez, o vice-ministro para Assuntos Jurídicos e Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, declarou que, conforme o entendimento alcançado, "a partir desta noite será anunciado o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano".
Um dos principais mediadores das negociações, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também confirmou que o acordo abrange a situação no Líbano.