A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está produzindo carne em laboratório por meio de experimentos que não envolvem o sacrifício de animais, informou a Agência Brasil no domingo (14).
A iniciativa é liderada pela Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia (SC), e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), em Brasília.
A técnica consiste na multiplicação de uma amostra de células retiradas de animais vivos via biópsia, cultivada in vitro em meio líquido com oxigênio e nutrientes.
A veterinária Naiara Milagres Augusto da Silva, analista do Cenargen, explica que é possível isolar células musculares, de gordura e conjuntivas para focar na multiplicação celular.
A ciência por trás da técnica
O processo utiliza estruturas biomiméticas, como suportes (scaffolds) e microcarreadores, para a ancoragem física do tecido muscular.
Segundo nota da Embrapa, essas estruturas influenciam propriedades tecnológicas e sensoriais, como textura, firmeza e percepção mastigatória, além de auxiliarem na diferenciação e organização tridimensional do tecido cultivado.
Já foco do Laboratório de Nanobiotecnologia é desenvolver biomateriais a partir de proteínas vegetais para servirem de matriz para as células animais. Naiara da Silva detalha que o objetivo é produzir carne com insumos de origem natural e vegetal para "dependermos menos do uso de animais para esse processo".
Entre os desenvolvimentos estão protótipos de filés de peito de frango e uma película comestível para invólucro de embutidos. O biólogo Luciano Paulino da Silva, coordenador de experimentos no Laboratório de Nanobiotecnologia, prevê que o protótipo estará disponível como ativo tecnológico da Embrapa até meados de 2027.