Empresas de navegação veem plano de reabertura de Ormuz com ceticismo — Bloomberg

O setor de transporte marítimo está tentando entender o que a reabertura do Estreito significará na prática, após meses de anúncios que não se concretizaram.

O anúncio de um acordo temporário entre os Estados Unidos e o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz não eliminou as incertezas no setor de transporte marítimo. 

Empresas de navegação e tradings de commodities continuam cobrando mais detalhes e, em muitos casos, preferem aguardar antes de retomar operações em uma rota que ainda consideram instável, informou a Bloomberg nesta segunda-feira (15).

Os mercados tenta compreender quais serão os efeitos práticos de uma reabertura de Ormuz após meses de anúncios e negociações que não chegaram a resultados concretos.

Mesmo com a retomada, o tráfego marítimo não voltaria imediatamente à normalidade. Dados da Kpler citados pela Bloomberg indicam que quase 600 embarcações permanecem no Golfo Pérsico prontas para zarpar, enquanto centenas de outras aguardam sem carga no lado oposto do estreito. 

Segundo a agência, há uma série de desafios logísticos e operacionais, desde serviços de manutenção — como a remoção de incrustações nos cascos — até as limitações impostas por um corredor de navegação estreito.

A principal preocupação, porém, continua sendo a segurança. A Bloomberg lembra que acordos anteriores acabaram sendo seguidos por confrontos envolvendo forças iranianas e americanas na região. Além disso, persistem dúvidas sobre a presença de minas marítimas no estreito, fator que influencia diretamente a definição das rotas e os custos dos seguros.

"A indústria marítima sabe disso. Os comandantes sabem disso. As tripulações sabem disso", afirmou Brett Erickson, sócio-diretor da Obsidian Risk Advisors.

"Todos entendem que um único erro de cálculo, um ataque isolado ou uma decisão política pode reacender as tensões e voltar a colocar vidas em risco", acrescentou.