Mais de mil embarcações permanecem aguardando para atravessar o Estreito de Ormuz após o Irã restringir o trânsito por esta rota marítima estratégica, segundo informações da rede iraniana IRIB.
As restrições de trânsito foram adotadas por ordem da Guarda Revolucionária do Irã em resposta às ações militares dos EUA na região.
Enquanto isso, Irã e Omã negociam para revisar as normas que regem a navegação pelo estreito, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo
Rota fundamental para o comércio global
O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Petroleiros e navios-tanque de gás natural da Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Irã e Kuwait transitam por essa via navegável.
Em 2022, aproximadamente 21 milhões de barris de petróleo transitaram por dia pelo Estreito de Ormuz, o equivalente a cerca de 21% do consumo global. Além disso, mais de um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo e cerca de um quinto do comércio global de gás natural liquefeito passam por essa rota.
Ferramenta estratégica para Teerã
A importância do Estreito de Ormuz levou o Irã a considerá-lo, há anos, um de seus principais instrumentos de dissuasão contra pressões externas. A possibilidade de restringir o tráfego marítimo torna o estreito uma ferramenta capaz de influenciar diretamente os mercados internacionais de energia.
No entanto, uma interrupção prolongada também poderia afetar a economia iraniana e suas exportações de energia, além de gerar tensões com alguns de seus principais parceiros comerciais.
Novas regras de navegação
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou no sábado (13) que Irã e Omã publicarão em breve uma declaração conjunta sobre a gestão do Estreito de Ormuz.
Segundo o ministro, o modelo de navegação pré-guerra não será mais utilizado. Embora não tenha revelado detalhes, ele indicou que o acordo poderia redefinir as normas de trânsito e segurança em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.