A divulgação de documentos pelos EUA sobre a existência de biolaboratórios americanos na Ucrânia comprova que Moscou estava certa o tempo todo, afirmou Kirill Dmitriev, enviado da presidência russa para investimento e cooperação econômica com países estrangeiros.
"A verdade russa sobre os biolaboratórios de Obama/Biden na Ucrânia que colocaram o mundo em perigo — uma verdade anteriormente negada pelo Estado profundo e pela grande mídia — é confirmada no Dia Nacional da Rússia", publicou no X nesta sexta-feira.
Ebola, peste e tuberculose em laboratórios americanos na Ucrânia
Anteriormente, a Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, divulgou dados de inteligência "nunca antes vistos" que revelam "novas evidências" de financiamento, pelo governo anterior da Casa Branca, de mais de 120 biolaboratórios em mais de 30 países. As últimas revelações se concentraram na Ucrânia, onde o governo dos EUA financiou mais de 40 biolaboratórios. A investigação determinou que eles abrigam "patógenos de guerra biológica da era soviética" e que os EUA foram responsáveis pelo treinamento de cientistas ucranianos em biocontenção.
Os repositórios nessas instalações incluem "armas biológicas e patógenos causadores de doenças", como antraz, ebola, peste bubônica, febre suína, tularemia, tuberculose, doença de Newcastle, MERS, SARS, vírus de Marburg, vírus de Lassa e riquétsias (bactérias intracelulares), entre outros.
Alertas da Rússia
A investigação americana foi divulgada após anos de advertências da Rússia sobre atividades ilícitas em laboratórios ucranianos financiados por países da OTAN. Desde 2022, Moscou vem apresentando evidências dessas atividades em diferentes fóruns internacionais, incluindo a ONU, mas nem os EUA, nem a Ucrânia, nem outras partes envolvidas responderam aos apelos russos por uma investigação sobre o funcionamento desses biolaboratórios.
A Rússia tentou chamar a atenção da comunidade internacional para o problema, alertando para a existência, na Ucrânia, dos seguintes projetos:
Projeto UP-4, cujo objetivo era investigar a possibilidade de transmissão de infecções particularmente perigosas por meio de aves migratórias.
Projeto P-781, no qual foi estudado o uso de morcegos como agentes de armas biológicas.
As Forças Armadas da Rússia também obtiveram documentos que, segundo Moscou, confirmam diversos casos de envio ao exterior de amostras biológicas de cidadãos ucranianos.
"Com grande probabilidade, pode-se afirmar que uma das tarefas dos EUA e de seus aliados é a criação de bioagentes capazes de afetar seletivamente diferentes grupos étnicos", declarou o tenente-general Igor Kirillov, ex-chefe das Tropas de Defesa Radiológica, Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.
Além disso, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou ainda em 2022 que os projetos de pesquisa biológica desenvolvidos durante anos em diversos laboratórios ucranianos em conjunto com os Estados Unidos violam a Convenção sobre Armas Biológicas e que os documentos obtidos durante a operação militar russa na Ucrânia representam apenas a ponta do iceberg.