Aproximadamente US$ 13 milhões foram dispendidos pela produtora Go Up Entertainment para produzir o longa Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O valor é equivalente a cerca de R$ 75 milhões, conforme declarado pela produtora da obra após uma perícia particular contratada pela própria empresa. A notícia foi publicada pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira (12).
Os resultados da perícia foram anexados a um processo que investiga uma suspeita de lavagem de dinheiro em um contrato de R$ 108 milhões para financiar o filme, firmado entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a prefeitura de São Paulo. A dona da produtora, Karina Ferreira Gama, que também é representante do instituto, foi alvo de uma operação da Polícia Civil em 1º de junho.
O relatório aponta que, do montante, US$ 383 mil teriam sido gastos no desenvolvimento do projeto; US$ 2,6 milhões no "Soft-production"; US$ 2,6 milhões também na pré-produção; US$ 1,9 milhão na produção e filmagem nos EUA; US$ 3,7 milhões na produção e filmagem no Brasil; e US$ 1,9 milhão na pós-produção.
A perícia aponta que um fundo, chamado Heavengate Development Fund LP, foi criado para a captação de recursos, e que, até 10 de junho, foram enviados US$ 13,3 milhões para financiar o longa. Os valores transferidos para o Brasil foram recebidos em uma conta do Banco do Brasil, sendo que R$ 18,4 milhões foram via Pix. No total, R$ 20,9 milhões foram gastos na produção e filmagem no Brasil.
Família Bolsonaro
Em 13 de maio, o The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o ex-senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de Dark Horse apenas um dia antes de este ser preso no âmbito da operação Compliance Zero. A reportagem afirma que conversas entre Vorcaro, seu cunhado, Fabiano Zettel, e o empresário Thiago Miranda previam o pagamento de R$ 134 milhões para a produção do longa. Efetivamente, apenas R$ 61 milhões foram transferidos por Vorcaro.
A Polícia Federal investiga se valores destinados ao custeio da obra cinematográfica teriam sido desviados para pagar as despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos EUA, pois o dinheiro de Vorcaro foi transferido para o fundo Heavengate Development, que tem como agente legal o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC", de Paulo Calixto, advogado de Eduardo.