Mídia israelense: 'Israel recebeu de Trump um tapa na cara' com o rascunho do acordo com Irã

Foi observado que o documento "se assemelha mais a uma capitulação do que a uma conquista diplomática" para Washington.

O rascunho do memorando de entendimento entre o Irã e os Estados Unidos, publicado nesta sexta-feira (12) pela mídia iraniana, provocou indignação em Tel Aviv. "Israel recebe de Trump um tapa na cara", escreveu a mídia israelense i24NEWS.

Fontes israelenses informaram ao veículo que o anúncio do presidente Donald Trump sobre o acordo com a República Islâmica do Irã ocorreu sem aviso prévio a Israel, e que as autoridades israelenses aguardam a confirmação dos detalhes do documento por Teerã antes de avaliar seu impacto.

O veículo também destacou que o rascunho "se assemelha mais a uma capitulação do que a uma conquista diplomática" para os Estados Unidos, pois oferece ao Irã uma suspensão gradual das sanções, a retomada das exportações de petróleo e o desbloqueio gradual de bilhões de dólares em ativos, em troca da promessa de não produzir armas nucleares e de diversos compromissos futuros. Críticos expressaram preocupação com o fato de que tal acordo permitiria a Teerã receber bilhões de dólares que seriam usados ​​não apenas para reativar a economia iraniana, mas também para fortalecer sua posição na região.

Rascunho do Acordo

Uma fonte próxima à equipe de negociação iraniana revelou à agência Mehr novos detalhes do projeto de um memorando de entendimento de 14 pontos entre o Irã e os Estados Unidos, acordado pelas partes esta semana, mas ainda não assinado.

Segundo a fonte, os pontos do projeto são os seguintes:

  1. Fim permanente e imediato das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano;
  2. Compromisso dos Estados Unidos de não interferir nos assuntos internos do Irã e de respeitar a soberania da República Islâmica;
  3. Levantamento completo do bloqueio naval em 30 dias;
  4. Compromisso dos Estados Unidos de retirar suas forças das áreas ao redor do Irã;
  5. Reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias, com a participação do Irã;
  6. Suspensão das sanções à venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, e acesso irrestrito do Irã aos seus recursos financeiros;
  7. Exigência de que os EUA e seus aliados apresentem planos de reconstrução para o Irã no valor mínimo de US$ 300 bilhões;
  8. Dois meses de negociações para que seja alcançado um acordo final sobre a questão nuclear e o levantamento completo das sanções primárias e secundárias dos EUA, bem como das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e do conselho de diretores da Agência Internacional de Energia Atômica;
  9. Reiterar o compromisso do Irã, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear, de não produzir armas nucleares;
  10. Que os Estados Unidos se comprometam, durante as negociações, a não aumentar suas forças na região e a não impor novas sanções;
  11. Liberação de US$ 24 bilhões em fundos iranianos congelados durante os 60 dias das negociações finais. Metade desse valor deve ser disponibilizada ao Irã antes do início das negociações;
  12. Estabelecimento de um mecanismo de monitoramento para a implementação do acordo.
  13. O acordo final será aprovado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU;
  14. As negociações finais só deverão começar quando metade dos fundos congelados do Irã for liberada, as sanções petrolíferas contra o país forem suspensas e o bloqueio naval for encerrado. O acordo final se concentrará exclusivamente no destino do urânio enriquecido e do processo de enriquecimento, na suspensão das sanções e no programa de reconstrução econômica do Irã. Discussões sobre o programa de mísseis iraniano e o apoio a grupos de resistência foram definitivamente excluídas da agenda.