A Promotoria de Istambul pediu penas de até 10 anos de prisão para 27 mulheres, entre influenciadoras e produtoras de conteúdo, em uma investigação sobre o uso da plataforma OnlyFans. Segundo a acusação, elas teriam atuado na divulgação de conteúdo obsceno e na lavagem de valores supostamente obtidos por meio dessas atividades, informou o portal turco Hurriyet na quarta-feira (10).
A denúncia, elaborada pelo Gabinete de Investigação de Financiamento do Terrorismo e Crimes de Lavagem de Dinheiro, sustenta que conteúdos pagos eram compartilhados na plataforma, bloqueada na Turquia desde 7 de junho de 2023, e promovidos por meio de contas em redes sociais. O acesso teria ocorrido por meio de VPN.
De acordo com a acusação, análises da polícia de crimes cibernéticos e relatórios financeiros do Conselho de Investigação de Crimes Financeiros (MASAK) identificaram movimentações de milhões de liras em contas bancárias, instituições de pagamento eletrônico e plataformas de criptoativos. A Promotoria também afirma ter localizado, em pesquisas de fonte aberta, fotografias e vídeos classificados como obscenos e atribuídos às suspeitas.
Nos depoimentos incluídos na denúncia, parte das investigadas negou irregularidades. Tulin Arikoglu declarou que abriu uma conta na plataforma para direcionar seguidores ao seu perfil profissional e afirmou que "o objetivo não era obter renda".
Eda Alboya disse que recebia pagamentos por meio de um cartão vinculado à plataforma e alegou que não sabia como declarar os rendimentos inicialmente. Já Ceyda Ersoy afirmou que produzia conteúdo pago, mas declarou que não considerava suas imagens obscenas.
A denúncia também registra a defesa de Cansu Bade Tas, que negou ter obtido renda por meio da plataforma. Segundo os relatórios financeiros citados no processo, foram identificados em suas contas bancárias 23,2 milhões de liras turcas (R$ 2,5 milhões) em transferências recebidas e 22,1 milhões de liras turcas (R$ 2,4 milhões) em transferências enviadas.
A investigada atribuiu as movimentações a apostas on-line e ao uso de contas bancárias de familiares.
O documento informa que algumas suspeitas chegaram a ser presas preventivamente durante a investigação. Também foram expedidos mandados de captura contra Burcin Erol, Gizem Bagdacicek, Merve Taskın, Serpil Cansız e Zeynep Alkan em 21 de maio de 2026.
A Promotoria solicitou a abertura de processo pelos crimes de "facilitar a publicação de material obsceno" e "lavagem de valores provenientes de crime", e encaminhou a denúncia ao Tribunal Criminal de Primeira Instância de Istambul.