O bilionário Bill Gates declarou nesta quarta-feira (10) a membros do Congresso dos EUA que cometeu um "grave erro de julgamento" ao se reunir com Jeffrey Epstein e que não compreendia a dimensão dos crimes cometidos pelo financista, informaram a AP e a Reuters.
Gates também acusou o falecido agressor sexual de tentar chantageá-lo usando seus relacionamentos extraconjugais. No entanto, afirmou que "nunca vitimizou ninguém" e que jamais presenciou qualquer conduta criminosa por parte de Epstein.
O depoimento ocorreu a portas fechadas perante o Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes. O presidente do comitê, o republicano James Comer, solicitou em uma carta enviada em março que Gates comparecesse para uma entrevista presencial registrada em ata. Ao chegar ao Capitólio, o fundador da Microsoft afirmou que sua participação era voluntária e declarou: "Espero que meu testemunho ajude os legisladores a encontrar justiça para as vítimas".
Segundo uma cópia de sua declaração preliminar, Gates afirmou: "Esses assuntos não tinham nada a ver com minhas interações com Epstein, mas foram dolorosos para minha família". Ele acrescentou que Epstein "tentava usar informações sobre minhas infidelidades, além de muitas mentiras que acrescentou, para me pressionar a retomar o contato com ele".
O bilionário também declarou que nunca visitou a ilha de Epstein nem outras propriedades do financista e que jamais teve interesse em manter uma relação pessoal com ele.
Gates explicou que conheceu Epstein por meio de pessoas ligadas ao seu trabalho profissional e filantrópico e que se interessou pelas alegações de que o financista poderia ajudar a arrecadar bilhões de dólares para iniciativas de saúde global. Segundo ele, a relação foi encerrada em 2014, após concluir que Epstein não seria capaz de cumprir essas promessas.
O deputado democrata Robert Garcia, principal representante da oposição no comitê, classificou as ações de Gates como "um erro de julgamento horrível", destacando que o empresário sabia que Epstein havia sido condenado por "um crime horrível" e, ainda assim, continuou interagindo com ele na tentativa de obter recursos para sua fundação.