Alerta dos EUA sobre riscos para torcedores no México gera onda de críticas nas redes

Internautas mexicanos relembraram os tiroteios e as violentas operações contra migrantes que ocorrem no país vizinho.

A Embaixada dos EUA emitiu na terça-feira (9) um alerta de segurança destinado aos turistas que viajarão ao México para acompanhar a Copa do Mundo da FIFA, que será organizada pelos dois países em conjunto com o Canadá.

O aviso, no entanto, teve efeito contrário ao esperado, já que mexicanos e internautas nas redes sociais relembraram a violência persistente nos EUA, refletida em frequentes tiroteios, episódios de racismo e operações policiais contra migrantes.

"O México é um destino turístico popular, mas os riscos de segurança variam consideravelmente de uma região para outra, por isso atribuímos níveis de alerta de viagem para cada estado mexicano", explicou a representação diplomática em uma publicação no X.

"Se você conseguiu ingressos para uma partida da Copa do Mundo da FIFA 2026 no México, consulte o nível mais recente de alerta de viagem e as informações sobre riscos (...) antes de viajar", acrescentou a publicação, que remete a uma página do Departamento de Estado.

Nesse site, são avaliados os níveis de segurança do México. De forma geral, o país latino-americano é classificado na categoria "nível 2", o que significa que são recomendadas precauções adicionais aos turistas americanos.

O alerta afirma que no México "ocorrem muitos crimes violentos", como homicídios, sequestros, roubos e agressões sexuais. "Existe risco de violência terrorista, incluindo atentados e outras atividades", acrescentam as autoridades dos EUA.

Da mesma forma, o governo americano recomenda não viajar aos estados de Colima, Guerrero, Michoacán, Sinaloa, Tamaulipas e Zacatecas, além de reconsiderar visitas à Baixa Califórnia, Chiapas, Chihuahua, Guanajuato, Jalisco, Morelos e Sonora.

O aviso chama a atenção porque Jalisco é um dos três estados que receberão partidas da Copa do Mundo, junto com a Cidade do México e Nuevo León. Os dois últimos são classificados pelos EUA na categoria em que os viajantes devem adotar precauções adicionais.

Reações

Os comentários na publicação da embaixada foram tomados por mensagens de usuários que consideraram que os alertas de segurança também deveriam ser aplicados aos próprios EUA.

"E a autocrítica de vocês? O risco de morrer baleado, pelas mãos da polícia, do ICE ou por causa das drogas no seu país o torna terrivelmente perigoso", escreveu uma internauta.

"Não vejo a lista dos estados do seu país por causa dos tiroteios ou das áreas onde milhares de dependentes químicos vagam como zumbis. Há um ditado mexicano que diz: 'Quem é bom juiz começa pela própria casa (país)'", afirmou outra.

Outro usuário questionou: "Poderiam atribuir níveis de alerta para cada estado dos EUA de acordo com o risco de pederastia, pedofilia, policiais assassinos, massacres indiscriminados, racismo e xenofobia?".

"Também não se esqueçam de marcar em vermelho Memphis, Detroit e Baltimore. E, já que estamos falando disso, não se esqueçam de Nova Orleans e Washington D.C., que registram mais atos violentos do que todo o México e a América Central (...) Hipócritas", concluiu outro comentário.