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Vacina desenvolvida por IA passa em primeiro teste e mira próximas pandemias

Imunizante de DNA induziu anticorpos contra diferentes sarbecovírus e pode ser aplicado sem agulha.
Vacina desenvolvida por IA passa em primeiro teste e mira próximas pandemias123RF

Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram e testaram pela primeira vez em humanos o que descrevem como um novo tipo de vacina projetada inteiramente com inteligência artificial (IA), informa o The Conversation em publicação na terça-feira (9). O objetivo é ambicioso: criar um único imunizante capaz de proteger não apenas contra todas as variantes conhecidas de coronavírus humanos, mas também contra vírus relacionados que circulam em morcegos e que podem dar origem a futuras pandemias.

Diferentemente das vacinas tradicionais, focadas em um vírus específico que pode sofrer mutações e escapar da imunidade, a equipe utilizou IA para analisar o material genético de milhares de sarbecovírus — família que inclui os vírus da SARS e da covid-19 — e identificar as partes que permanecem estáveis ao longo do tempo. Essas regiões conservadas, compartilhadas por múltiplas variantes e pouco propensas a mudanças, tornaram-se a base da nova formulação, concebida como uma proteção de amplo espectro.

Uma vacina sem agulhas

O imunizante é do tipo DNA, diferente das conhecidas vacinas de RNA mensageiro utilizadas durante a pandemia. Esse formato oferece maior estabilidade e facilita o armazenamento e o transporte, uma vantagem importante para países com infraestrutura limitada. Além disso, pode ser administrado sem agulhas, por meio de um jato de líquido de alta pressão que atravessa a pele, reduzindo custos e acelerando as campanhas de vacinação.

Neste primeiro ensaio em humanos, o biofármaco demonstrou ser seguro e bem tolerado, além de estimular a produção de anticorpos capazes de reconhecer diferentes tipos de sarbecovírus. Os autores destacam que esta é a primeira prova de conceito de que a IA pode criar vacinas resistentes a variantes contra futuras ameaças pandêmicas, uma abordagem que, no futuro, também poderá ser aplicada a famílias virais como a gripe e o ebola.

No entanto, os cientistas alertam que ainda há desafios a superar. As respostas imunológicas observadas foram moderadas, e ainda não se sabe por quanto tempo a proteção duraria nem se seriam necessárias doses de reforço adicionais. Serão necessários estudos mais amplos para verificar se a solução é capaz de prevenir infecções ou reduzir a gravidade da doença em condições reais.